A opinião e a decisão: Olhar




Quando menos esperamos, integramos notícia de algum telejornal. E na maioria das vezes, somos os auto-falantes do ocorrido. As perguntas variam de 'o que o senhor acha da situação econômica do país?' até 'quem você acha que vai matar a vovó Piedade na novela?'. Seja uma pergunta útil ou fútil, somos a opinião, a razão de existir a infomação. Isso nos dá um status maior do que o comum, mesmo apenas respondendo uma mísera pergunta, que certamente o repórter não está nem um pouco interessado na opinião que receberá. E mesmo nem sendo correspondido.


Em alguns casos, somos a decisão. Ou seja, a gente propõe o que é certo ou errado. E não somente parte de um conglomerado de insinuações. Um exemplo é quando a pergunta envolve valores familiares, e não de um conjunto da sociedade. 'Você é afavor do aborto?', 'Você doaria seus orgãos?' ou 'Você vai votar em quem?'.


A diferença da primeira pra segunda é que, longe de ser algo intuitivo, a sua decisão muda ações suas, sendo que na opinião, você influencia outras. As duas manifestam opiniões, mas na segunda você age. Na primeira, apenas coloca lenha na fogueira.


Para apenas citar algo que possa exemplificar uma possivel mensagem, lembremos dos nossos olhos. Fisicamente, são considerados 'as bolinhas de gude da cara'. Wikipedicamente, é um órgão dos animais que permite detectar a luz e transformar essa percepção em impulsos eléctricos. Grosseiramente, é onde entram e saem imagens. Algumas ficam gravadas no HD (Human Driver), outras são deletadas automaticamente (aulas de matemática). Mas, dificil explicar quando surgiu este orgão tão significativo no homem. Certa vez, Mefistófoles, aquele do Goethe, apareceu aos detritos que formariam o homem mais tarde e disse:


- Eu lhes dou a visão, mas terão que ficar com Darwin! E os detritos aceitaram.


Bom, o que podemos filosofar sobre a nossa visão? Ver é um privilégio, pois existem muitos que não tem esse dom, outros mal tem. Não ver tem suas vantagens, pois eliminaria muito a chance de gravarmos porcarias em nosso HD e acarretar uma formatação... Sem dúvida, há os altos e baixos de se ter ou não a visão.

O mais intrigante é que, mesmo tendo a visão literalmente, muitos não conseguem ver. Outros enxergam além do que olhos podem ver. E muitos, de fato, não querem enxergar. Existem várias opções de pontos de vista. De fato, muitos destes pontos são invisíveis, outros inviáveis. E na maioria, é de uso pessoal e intransferível.

Muitas idéias são feitas para poucos olhos, outras sobram para muitos. Outros nem sequer olham. Muitas pessoas são soluções físicas, outras são impecilhos. Isso só os olhos podem de fato destacar.

As vezes, há coisas que os olhos veem, que a mente preferiria não ter visto. Mas os olhos são apenas uma das peças mais importantes para o homem. O que o homem faz depois que vê, cabe ao homem. O que fica e o que nem vêm, é decisão da mente. Os olhos olham.

***

(Só para constar, os casos de neo-nazistas que ocorreram esses dias no Brasil, é um fato pra lá de estranho, principalmente aqui. Primeiro, pelo fato de que Hitler morreu (suicídio), logo suas idéias percorreram alguns lugares, evidente. Mas por pura influência de interesses pessoais que casaram. Principalmente o racismo, no caso de KKK, e o caso do Brasil, sabe-se lá o motivo. Segundo, a doutrina nazista era de seleção, ou seja, apenas a raça ariana seria a ideal para se manter um governo justo e próspero. Se assim fosse, num mundo só de arianos, iriam existir brigas entre os arianos narigudos com os arianos dentuços. E se isso for levado até o fim, não sobrará ninguém, pois não há perfeição. E sem dúvida, isso foi idéia de alguém que tinham lá também seus interesses pessoais.)

"Como está escrito: - Não há nenhum justo, nem um sequer". (Romanos, 3:10, NVI)

PMSS


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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

1 comentários:

Anônimo disse...

Tche gurizito,é Amanda, a gaúcha. Muito gaúcho seu blog, tu é um moço super inteligente e intelectual, vai longe.. Tem uma ótima oratoria e sabe escrever.. Sabe dar valor as coisas simples da vida, isso é mui Bueno, as coisas simples, são as mais extraordinárias, e só os sábios conseguem vê-las.. Seus textos chamam muita atenção são super interessantes.. E o livro? Quando que vai lançar, o meu quero autografado, por favor, hehehe..
Que o patrão velho, La de cima te abençoe e te proteja.
Um chasque bem chinchado gurizito.. Doru tu..
bj