As desventuras de amigo Menino - II


Capítulo 1 - A árvore do bosque


Sentindo um pouco de frio, nosso amigo Menino subiu a tal montanha, que diziam a más línguas que era “amaldiçoado por Xaropink’s xarope”. Este ser, apesar de imaginário, assombra o monte desde a tomada da muralha de Artagville. A muralha que cerca a pequena cidade era governada pelos “mondongos do leste”, seres especialmente fabricados por Xaropink’s para derrotar as baratas falantes, criação do falecido Klun.
Sendo assim, nosso amigo Menino continuou em sua jornada.


Nesta época, a Terra era habitada por seres sobreviventes da catástrofe de 2300. Era governada pelos Tupinambás 2 (Tribo de Governantes Humanos com cara de índios). Isto é claro, após a escassez de água no planeta. Muito milionários sobreviveram alguns anos a mais. Pra ser exato, dois séculos. Mas os recursos estavam acabados e agora só uma espécie sobreviveria: os Yesterdays. Estes seres, na verdade eram alguns empresários milionários mercenários estelionatários e cientistas malucos birutas que ingeriram doses de Cinamomofthefuture, uma substância encontrada em muitos seres vivos do século XXII.
Então, em 2398, os Yesterdays foram se adaptando a nova forma, até criarem o povoado de Müllre, área situada próximo ao antigo Canadá.
Mas o medo mesmo dos Yesterdays eram seres que haviam criado vida própria no planeta Terra, agora praticamente solidificado. Eram geladeiras vivas, tijolos com patas e canetas-falantes. Mas a pior espécie criada neste sentido foram os computadores chapados. Esta espécie era tão assustadora que o povoado de Müllre foi obrigado a edificar uma muralha de 80 metros de altura e cercava uma área não maior que 3.968km. Fora edificada ora por robôs idiotas ora por pedreiros milionários, que eram espécies de xerifes, conhecidos como “Jocas”.
A Terra havia virado uma terra sem leis. Isto depois que os muçulmanos foram dizimados por nada mais nada menos que eles mesmos. Hoje descansam em paz, com 70 bactérias virgens que comem seus corpos a sete palmos do chão (ou talvez a milhões de palmos da Terra; to the hell). Os católicos perderam a fé, depois que o ultimo papa vivo, Bento DCLXVI (666º), penhorou todas as riquezas do Vaticano (que eram muitas por sinal), e comprou ações da Microsoft. Até aí tudo bem. Mas a Microsoft faliu após a chegada dos softwares da Enterprise Bisbilhotation, com o sistema operacional Doors. O papa faliu de vez e toda a religião.
Nisso vieram certos loucos, conhecidos por “Renaults”, queriam por ordem no galinheiro. E conseguiram. A gripe do frango fora controlada por essa raça triste.


Enquanto não anoitecia, nosso amigo Menino arrumava uma barraca feita com pedaços de palitos de fósforo, pano velho e algodão. O som que se passava naquela cordilheira era de espantar o esperanto. O vento trazia informações intraduzíveis, que intrigavam nosso amigo menino. Ele trazia consigo uma tesoura, um punhal enferrujado, um travesseiro, cinco panquecas, cobertores e água. Ele fora aluno do mestre Klun durante trinta anos. Aprendera a fazer fogo sem as mãos. Apenas usando seu espirro (o oxigênio, neste período era metade carbono inflamável).
O mestre Klun era o mestre dos mestres. Ele sabia segredos sobre a cronologia chinesa, que dizia que algo iria acontecer no ano 2489. Também era um dos escolhidos da dinastia Chuang para salvar os 434 outros escolhidos para viajarem para o além. Também foi ajudante de pedreiro durante 35 anos até se aposentar por invalidez. Também era um baita falcatrua, ficava devendo em tudo quanto era boteco, e não pagava o infeliz. Mesmo assim ele era importante para nosso amigo menino.
Após a partida do amigo Menino para o leste, a cidade de Müllre nunca mais seria a mesma. As baratas falantes vieram em seguida, mas pacificamente. Acabara por virarem alunas do mestre Klun, não pelo seu conhecimento inestimável, mas pela falta de ter o que fazer na imundícia daquela cidade. Durante algum tempo, estava tudo normal, até que o governante numero 666 assumiu e a casa caiu para o lado do mestre. O novo líder da manada não era um Yesterday como o povoado, mas sim um Jupteriano de Júpiter. Isso ia contra as normas regulamentadoras do processo de indenização nº4333, digito 333 salvo lei de incentivo a cultura promulgada em 13 de outubro de 2267 pelo então ministro do oxigênio de 2267, Dr. Eugênio Popogênio. Isso era um insulto para a sociedade acústica.
Nada, porém foi feito, e a única esperança da cidade voltar ao que era antes era com o apoio do nosso amigo menino. Que nunca recebera um nome concreto. Seu pai o chamava de gurio de medra, sua mãe de Tchecoslováquia On the Grind, seus tios de Irmão Tchê Porqueira, sua avó de Matuto do Mato, seu avô de Bolita de Vidro Trincado. Mas como era o menino, ficou conhecido depois do 18 anos apenas como Menino. Já amigo é porque seus amigos eram seus amigos. E apenas isto. Só.
Ele (nosso amigo Menino, ou escolha um dos nomes que lhes foram dados antes da maioridade penal), era peça importante para a salvação da pobre Müllre. Mas todos achavam que ele havia falecido ou morto, pelo tempo que passara fora. E ainda mais que João Júpiter, líder da cidade futurística declarara nosso amigo Menino como foragido da Lei marcial.
E assim, o povoado daquela cidade ia perdendo suas esperanças de liberdade a cada tria (nome com o qual os ignorantes, quer dizer, habitantes desta cidade renomearam o conceito de dia; agora um dia duravam 72 horas e há noite um mês, devido ao fluxo de carbono que tampa o espaço entre a claridade da única fonte de luz e incompleta energia para a sustentabilidade no planeta: os raios de sol a base de nitrogênio enviado por satélite dos Estados Unidos de Saturno).



Enquanto isso, nosso herói da pátria idolatrada salve, salve, dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada... Bom, o que importa é que ele, no período em que o povoado sofredor de Müllre, brincava de esconde-esconde como Adolf Roisenberg Iceberg. Fruto de uma experiência genética sem fins lucrativos e totalmente sem recursos, Iceberg era um andróide molóide. Escondia-se do resto do mundo (se é que dá para chamar de resto), pois era muito diferente da fisionomia humana: tinha dedos polegares na testa, rabo de cavalo (penteado muito antiquado), e tinha cara de bolacha. Fora isso, não sabia ler o alfabeto universal (série de gírias que serviram como comunicação após a confusão de 2333).
Iceberg tinha o melhor amigo que ele poderia encontrar no resto do universo. Menino era flexível com o cara de bolacha:
- O que tu esta fazendo, seu molóide feioso! Você não serve para nada! Abestalhado! – disse nosso amigo menino após Iceberg deixar cair um pedaço de rapadura no chão.
Iceberg também não gostava de ser chamado de seu nome, então nosso amigo menino passou a chamá-lo de Pato Donald, pois ele era idêntico ao desenho animado quando vestia seu pijama. Iceberg não deixou barato, começou a chamar nosso amigo menino de Latrocínio, pois era... Não tinha motivos de... Na verdade era um apelido sem moral.
- Você não sabe nem colocar apelidos, seu burro!



Enquanto nossos amigos brincavam em seus treinamentos, uma revolução agitava a cidade do Sul. Misterioso mesmo é que esta cidade é proibida a entrada de seres modificados pelo Cinamomofthefuture, ou seja, era o único refúgio de pessoas humanas do planeta futurístico. Lá, as leis de convivência não eram tão severas como as de Müllre, mas também eram pessoas sobreviventes a uma série de tragédias que ocorreram no planeta no início do século XXI. Talvez, a maior culpa desses conflitos esteja relacionada com a poluição, que alcançou um poder de destruição extremo, e não conseguiu ser controlada apesar de esforços promovidos pelos governantes, uma vez convencidos pelos incansáveis ativistas. E aconteceu que na cidade do Sul, que em nenhum momento fora atingida pelos efeitos da poluição (por se tratar de uma zona não industrial, aproveitou-se o terreno para edificar esta cidade), sobreviveram alguns que somaram esforços, principalmente tecnológicos, para se manterem vivos e tentando “perpetuar uma espécie suicida”. Já era previsto a sobrevivência de povoados localizados no hemisfério sul do planeta, em função da Revolução Industrial, que poluiu a Europa e os Estados Unidos do começo ao fim, devido às riquezas roubadas de partilhas feitas na Ásia e África, no período da R.I., e os povoados “sugados”, tinham o prazer de desfrutar o último ar puro. Mas, gradativamente, aumentava o risco de extinção humana, devido a este vício pelo poder. Era como um cigarro tragado a cada dia e mal sabiam eles quais infecções causariam futuramente. Porém, mesmo quem estava bem longe dos pulmões Europeus e Norte-americanos (no caso seriam as grandes indústrias, que tragavam suas chaminés), sucumbiu com o carbono. O próprio Brasil patrocinou o avanço industrial de alguns países. Quando finalmente havia pagado todos os seus carnês, exceto com as dívidas do meio ambiente, exércitos comandaram uma operação jamais vista em todos os tempos. As mortes haviam aumentado devido à insanidade que estava o planeta. Mais de um bilhão de pessoas morreram, no período de 2040 até 2150, de conseqüências diretas do descaso e despreocupação com os problemas decorrentes naquele momento.
Mas, a partir de 2190, cidades eram aglomeradas e formaram assim castas. Aparelhos de oxigênio eram distribuídos para a população, para a ocasião de se aventurarem pela rua. Nas residências, eram acoplados geradores de ar 70% purificado. Ou seja: pessoas não viveriam mais que 50 anos, teoricamente. Mas a tendência era abaixo do esperado, como sempre.
Claro que estas castas eram divididas por classe social. Natural. Só que prevaleceu a lógica: as 200 cidades em que viviam pessoas de baixa renda, onde se aglomeravam em galpões imensos sucumbiram antes da virada de 2200. A fraca Tecnologia empregada nestas castas foi o principal motivo. Mas as grandes castas também foram sucumbindo pela demora da evolução da tecnologia. Assim, no meio do século XXII, apenas cinco castas sobreviveram.



Nossos aventureiros haviam atravessado o limite de Grain, limite observado e criado para limitar certas áreas, com efeito, onde raios ultravioletas atingiam a pele e logo estagnaria qualquer ser vivo ao ser atingido. É claro que na bula desta contra-indicação não prevê efeitos colaterais em espécies modificadas pelo Cinamomofthefuture. Nestas áreas, nunca houve penetração humana, de modo que nunca matou alguém. Lá, nosso amigo menino encontraria o que precisava. Ou não.


Em todo caso específico de manifestação por Cinamomofthefuture Case, deve-se procurar auxílio médico...


Continua...

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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