As desventuras de amigo Menino - VIII

Cont. cap. 3


Enquanto isso, um pouco atrás na corrida pela cidade do Sul, estavam Júpiter e a cidade de Müllre em peso aos seus calcanhares, sofrendo das mais variadas insanidades e mortes a cada momento. Mas o medo mesmo deste tirano era o possível encontro com um habitante de seu passado: Pitanga Murcha, que havia fugido para o sul. Não sabia realmente seu paradeiro, mas imaginava que Pascoal dera um jeito neste sujeito indesejado aos dois.
Estavam eles onde se podia dizer antigamente, em terras de Santa Catarina. O almirante responsável pela expedição, comunicou a Júpiter que sua rota iria mudar drasticamente, porém estrategicamente. Iria iniciar a decida pelas bandas do antigo terreno Pacífico. Mesmo com um mega desvio, as tropas alcançaram velocidade máxima, chegando à linha de Thunder’s Land antes do esperado. Isso surpreendeu o tirano, que sabia que nunca alguém tinha conduzido tantas pessoas por um lugar tão frio e perigoso. E é neste momento que as tropas avistam pela primeira vez nossos viajantes, que estão 2.393,92 jardas a sua frente.
Por puro azar (ou sorte, dependendo da empatia por personagens) a cidade inteira de Müllre se infiltrou em uma floresta negra. Mas esta, diferentemente de outras existentes, tem aspecto mais fúnebre e, como sua principal característica, era um beco sem saída. Ninguém dentre eles sabia sobre isso, a não ser um servo antigo de Klun-Pling Anonymus. Ao certo, não se sabe se ele quer esconder este segredo ou não prestou atenção nas aulas do velho mestre, ou seja, era um pateta.
Esta floresta se assemelha àquela citada no livro O hobbit, mas com algumas diferenças básicas: era sem vida, sem arvores autenticas e tudo mais. Porém continuava sendo escura e com um caminho a ser seguido. Um único desvio poderia significar uma perda total.
Como vocês sabem, não teria graça se nenhum deles saísse dali... Então contaremos o que se passou lá dentro que os possibilitaram escapar of the dark.
Acontece que no meio da floresta, lá no “meião”, morava um povoado, nada grande em proporções. Neste povo, que não se interessava em nada pelo mundo lá fora, reinava Joca James, um camundongo mutante, ao lado de sua mulher, Linda Borowsking Mañana, um ratazana do lado leste. Liderando esta comunidade de ratos a poucos anos, pretendiam expandir seu reino por toda a Terra. Porém contavam com um exército de 200 ratos efetivos. Contudo, esta espécie de ratos era muito diferente de outras gerações. Tinham um pé direito biológico (no caso destes seres magníficos, era a altura dos pés até os chifres de alce) de no mínimo 2,00m. Eram enormemente grandes (o pleonasmo não é proibido no futuro).
Os habitantes de Müllre estavam pasmos diante daquelas criaturas horrendas. Mas nada podiam fazer, parte da tropa de proteção havia sido atolada em enxofre movediço. Mas João Júpiter e sua saúde de ferro, de nada foram abalados.
A ocasião nas tribos de ratazanas era especial. Era aniversário de James Saturno, filho do casal líder desta tribo, e herdeiro do trono mais cobiçado da região.
Para desespero de seus pais, James Saturno nascera com três olhos. Esta anomalia deve-se ao fluxo de estilóides e hormônios de gasolina presentes no DNA da mãe do garoto, já no pai é uma longa história. O certo era que seu terceiro olho em nada o atrapalhava no decorrer de sua curta vida até aquele presente momento. De fato, ele era o mais desconfiado da casa, vivia olhando o que não devia e também era obeso, pois tinha não só os olhos maiores que a barriga como também um auxiliar. Por isso, cantava-se uma linda e debochada canção em suas festa de aniversários:

O que o olho vê, a barriga pede.
Oinc, oinc, oinc, oinc.
O que o olho vê, a barriga pede.
Oinc, oinc, oinc, oinc.


Seus amigos o consideravam uma ameaça para a dominação ratazional da Terra. Era um ser sem noção. O idealismo of the mouse’s estava em sérios apuros.
A festa iria começar. Joca James estava irritado com a música repetida constantemente, e começava a perceber a música como um som de um suposto protesto. Pois agora, estava James Saturno com seus 18 anos, idade em que não era duvidosa a sua coroação. No entanto, a mãe do bastardo era contra o reinado de seu filho. Talvez não por ser super-protetora, mas pelo modo das pessoas se darem com seu filho, um atentado contra ele não seria improvável.
Charlie 666º estava na oitava cavalaria de Müllre, quando não aturou a ordem de ficar em quarentena antes de atacar, e resolveu investir contra os ratos, justo em uma comemoração que envolve todos os habitantes.
Estava formada a guerra mais avassaladora do século XXV. Müllre se aproveitou de estar em volta da pequena cidade dos ratos e fechou todos os flancos. O embate culminante ocorreu quando tropas ainda despreparadas dos camundongos amestrados tentaram defender-se de forma heróica contra o avassalador ataque dos exércitos e linhas de frente (Frontline, música da banda Pillar). Foram dizimados.
A sua frente, James Saturno imaginava um aniversário mais alegre, divertido e descontraído (sem falta de comida, é claro!). Mas estava à frente de uma guerra, na qual lhe pegara de surpresa, em plena nomeação de líder maior das ratazanas da floresta. Pensava em tomar uma decisão rápida, mas a inexperiência falava mais alto no seu subconsciente. Tão logo, viu o líder do exercito inimigo a sua frente, que lhe questionou enlevado:
- Então você é o líder deste povo miserável...
Não sabia a resposta a dar ao inimigo, porém o medo de lhe dar com situações do tipo gerou uma coragem espontânea e um pouco inacreditável:
- Não. Só sou um amigo seu.
- Amigo neste fim de mundo, te peço explicações, meu caro.
- Conheço você há muitos anos, até o momento que entrou nesta floresta. Deste então não lhe reconheci, pois acaba de atacar meu povo.
Pensou em parar de falar uma pouco e deixar seu inimigo, que no momento tinha-lo nas mãos, escapar algo útil pela boca.
- Talvez tenhas ouvido falar em mim, pois sou famoso pelas bandas do norte, mas quem me conhece sabe que sou perverso e ultrajante.
- Pois bem sei disso, também vem aqui à procura de algo...
- Que pensas que venho buscar, sujeito estranho.
- Sei muito bem...
Agora ele se enrola. Mas surgem mais alternativas a sua cabeça de pergunta, empolgando neste duelo de inteligência.
- Você procura um caminho...
- Isto mesmo, você então sabe o porquê de eu estar aqui.
- Já disse que o conhecia... – disse agora rindo de seu pequeno feito até o momento,
- Então me diga, onde fica este caminho ou o mato e descobrirei sozinho!
- Calma, este caminho não é tão fácil como pensas, necessitas de guia experiente para levá-lo até lá.
- Então você virá comigo.
- Sim nisto que pensei, mas antes tenha a bondade de libertar meu povo.
- Não sou louco, seu povo já deve estar dizimado a este momento.
- Então peça que recuem do campo de batalha,
- Como quiser, rato.
Os habitantes da cidade mal sabiam que seu mais odiado líder havia os poupado a vida. Os exércitos de Müllre estavam se aproximando da Toca Maior, lugar onde havia se refugiados mulheres, idosos e crianças (é claro que lideranças estavam lá também...).
Após uma noite entre os ratos mutantes daquele povoado, o exercito Müllre partiu agora sobre comando de um novo guia: James Saturno, que não conhecia um palmo fora daquela floresta, mas fizera com que a cidade gostasse mais daquele gordinho de olhos maiores que a barriga.


Xaropink’s Xarope estava bem atrás na corrida. Perdera-se na primeira floresta negra do trajeto. E cinco trias depois, chegava a segunda floresta, prevendo mais atraso. Encontrou pelo caminho um jornal velho, depois de achar também alguns pertences. O jornal era inútil a sua pessoa, nunca aprendera a ler, mas ao folhar as páginas, para sua surpresa imediata, encontrou seu retrato.
Não sabia no começo do que se tratava, mas desconfiava estar famoso agora, depois de anos tentando obter algum reconhecimento. E com o pensamento nesse detalhe de seu grande objetivo, se animou e “apertou” seu passo a fim de chegar antes no destino de seu alvo. Ele conhecia as intenções de Menino e de que ia para a cidade do Sul. Para animá-lo, rasgou a parte que tinha sua foto no jornal e guardou. Quando for a cidade de Müllre irá divulgar a morte de Menino feita por suas próprias mãos e espera ser aclamado como “herói universal”. Isto sempre se repetia em sua cabeça de vento, apesar de ter a mesma capacidade de armazenamento de Iceberg. Para isso contava em alcançar primeira mente seu grande amigo para as bandas do sul, James Saturno, o agora, ainda que ameaçado, líder dos camundongos da floresta.
Após chegar à segunda floresta, desencontrou-se do caminho direto e acabou chegando à cidade dos camundongos. Logo se deparou com uma destruição nunca antes vistas por aqueles olhos de certa deficiência. Ao questionar outro grande amigo, o pai de Saturno, o mesmo lhe respondera:
- Foi terrível, aquele rosto... Destruíram completamente meu povoado.
- Onde está o Saturninho?
- Eles o levaram.
Sem tempo a perder, Xaropink’s Xarope parte em busca de seu grande amigo, certo de que fora Menino, a ameaça do planeta cinza, que raptou Saturno.


Ao encontrarem a tal da água, Iceberg melhorou rapidamente. A substancia fora encontrada após algumas escavações no alto de um monte. Essa substancia, ao entrar em contato com atmosfera, vaporizou-se rapidamente. Menino lembrou que em sua escola existia uma substancia parecida, mas apenas na forma de vapor. Era fabricada pela Ducambor, empresa que fabricava alimentos para yesterdays, e largava na atmosfera parte desta substancia.
Após a recuperação, Iceberg demonstrou estar como sempre fora, pois o culminante de sua recuperação foi tropeçar sete vezes em 13,12 jardas, ato não repetido durante o estágio da doença.
Ao consultar o livro de Oteromequitá, Menino percebera uma página intraduzível. E parecia ser algo muito importante. Mas nem o próprio velho Popogenic’s conseguira traduzir. Maisá nem quis arriscar. Iceberg nem fora consultado, por motivos conhecidos. A letra parecia simbólica, como também poderia ser um dialeto muito usual.
Encaminhavam-se rumo ao centro do limite ali percorrido. De acordo com as páginas legíveis do livro de Otero, fora a parte simbólica, constava o aparecimento de gases de textura intrigante, pelo menos para os yesterdays. Era um tipo de gás azul bem escuro. Tinha função de substituir a antiga neblina que habitava a Terra, mas era inofensiva. Pelo menos esse era o limite que conhecia Maisá. Perguntava-se agora sobre onde estaria o último dos velhos que supostamente saberia o caminho acidade almejada. Maisá nunca ouvira falar deste sujeito que atende por Juca Pascoal, mas Popogenic’s o conhecia pessoalmente. Também conhecera sua história, a que fora citada anteriormente e envolvia o atual líder dos yesterdays.
Ao se aproximarem da bandeira branca, marca deixada por Maisá em sua expedição mais ousada ao sul, ele próprio exclamou:
- Daqui em diante, será novidade pra mim e muito mais para vocês.
Atingiram uma cordilheira de proporções pequenas, mas um obstáculo irreconhecido e um tanto desafiador para os viajantes. Da bandeira branca já era possível avistar tal cadeia montanhosa, de tamanho pequeno. Gigante mesmo só o medo de Iceberg, que se arrepiava cada vez que algo que não fosse plano aparecesse no caminho dos viajantes. Mas desta vez não era nenhuma floresta negra, e sim um pedregulho inofensivo.
Menino, num gesto mais precavido, decidiu circuncidar o morro. Devido a seu isolamento de outros declives, estando no meio do deserto, não haveria problema poupar mais esta subida.
O problema real era que já sabiam eles da existência de tropas da cidade de Müllre aos seus calcanhares. Isto era óbvio, mas, no entanto era desconhecido, tanto sua distância quanto seu número. Porém eles pensavam e articulavam seus planos e objetivos de viajem sem interromper a caminhada, ao contrario dos inimigos. Uma estratégia lançada por Maisá era subir o morro de qualquer jeito para ver a distância e número das tropas, pois contornar o mesmo apenas perderia tempo, sendo assim estariam bem informados da situação mesmo estando eles exaustos pela subida íngreme. Mas o óbvio foi deixado para trás, o que não deixa de ser uma estratégia. Resolveram contornar o morro como fora combinado de inicio.
Nisto, ao pé do monte, encontraram certos vestígios que provam a existência de vida ao extremo sul. Eram peças de roupas cino - altantes (roupa adequada aos yesterdays para uso de sobrevivência. A roupa, que era um resultado de uma série de pesquisas científicas, acabou por ser descoberta por um simples estilista futurista, Gordon Lizard). A animação foi tanta que, euforicamente, eles apertaram o passo, a fim de encontrar o que queriam naquelas terras do além...
Cont. cap. 4

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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