O Trem Desgovernado


Rezava a lenda de uma antiga cidade no interior do interior desse Brasil varonil, que uma empresa muito anti-desgovernamento chegou para montar o primeiro trem que nunca iria se desgovernar. Era a melhor notícia para a cidade, pois só assim eles poderiam viajar tranquilamente dos Cafundós do Judas até onde o mesmo perdeu as botas. A empresa estava trabalhando duro na propaganda do anti-desgovernamento. Os trens iriam viajar muito rápido e com a máxima segurança e conforto. Sem dúvida iria ser um marco na região governada por anti-desgovernadores.

Todos estavam saltitantes e desgovernados com a notícia do trem. Muito esperavam que suas vidas medíocres mudasse de uma hora para outra, ou seja, que se governasse de uma vez. E tudo indicava que sim.

A viagem inaugural seria marcada num sábado, dia de São Governado. A cidade tinha vários ex-anti-desgovernadores. Isso era legal...

E chegada a véspera, todas as famílias se reuniam em suas mesas governadas pela farta comida (Milhopã, Fruki e Goma...), faziam a última ceia antes do grande dia, o dia mais governado da história!!!!!!!

Na manhã seguinte, todos sairam correndo desgovernados (indo de contra a política de anti-desgovernamento) para assistir a inauguração do ano, do século, de todos os tempos, e or ai vai... Lá estavam: Bruce Wayne, Peter Park, Clark Kent, Homer Simpsons, Hebert Richards, Narrador do Futebol Brasileño 96, entre outras figuras muito conhecidas e totalmente anti-desgovernamento (e de fato, literais...).

As 13:15hs, o prefeito iria ligar o troço e dar partida no bagulho. E daí seria só alegria desgovernada (ou orquestrada...).

Dada a partida. Todos aplaudiaram, soltaram fogos, tiros de garruchas, gritos de guerra, derrubaram uma árvore, choveu, mas ninguém se molhou, infelizmente. O trem fez suas curvas muito bem. Estava tudo muito tranquilo. O maquinista, um rapaz de 15 anos, colocou um som da pesada para os passageiros ouvirem: Baila Muchacho y Muchacha, volume 15, Arriba Dance. Todos tomavam um Coffee Song, apenas Peter Park e Chapolin Colorado estavam detectando a presença do inimigo. Mas não foi a tempo, pois na verdade era ausência do mesmo que causou o pior. De acordo com o manual do trem feliz, o maquinário era composto de 18.500 parafusos. Mas apenas 10.273 foram parafusados. Essa façanha é de todo crédito de Donald Adams, um ex-jogador de golfe, que não foi encontrado a tempo de ser espancado.

E por falar nisso, não é que o trem se desgovernou?




Muitas vezes julgamos um assunto pelo título. Mas tem títulos que de cara entregam a essência do contexto. Este foi um caso...

PMSS

Share this:

SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

0 comentários: