Por onde passa um valor


Certa vez fui ao mercado. Erradas também, mas desta vez eu tinha certeza. As erradas são para comprar coisas que não estão ao nosso alcance, já a certas são simplesmente o contrário. Porém, não nos damos conta do valor que esta em nossas mãos. Quando você, diretamente falando com a classe mais parecida comigo, pega uma nota de cem reais (rara) do banco e coloca na carteira, não tem noção de que aquela cédula pode ter passado pela mão de um traficante. Mas fique tranquilo, o dinheiro veio de um 'playboyzinho' que ganhou de um pai trabalhador. Esse trabalhador o ganhou do chefe, que recebeu a nota por um acaso, sua mulher não queria andar com notas, só cartões. Seguindo a rota, essa mulher a recebeu numa festa beneficiente, onde deveria ter ficado em uma entidade ao invés do desvio, coisa que seu doador nem imaginaria, um senhor dono de uma pizzaria de baixo escalão, que deu a nota de bom coração (rimou!). Logo, essa nota foi entregue por um senhor cheio de brilho nos olhos, pois a havia achado no chão. Era um senhor humilde, que não tinha onde cair morto, tão pouco era imortal da ABL. Entregou-a ao dono da pizzaria pedindo o que desse de pizza. E não foi exagerado, ela saciou a fome de sua família, que morava de baixo de uma ponte. E a ponte estava feliz. Agradeceram aos ventos, que fizeram a nota voar até o homem com o brilho nos olhos. Esse vento era sudeste, veio de um prédio do centro da cidade. Um rapaz acabara de ganhar na mega-sena, então quis esbanjar um pouco. Mesmo tendo ajudado alguém, ele não se ajudou. Era divertido fazer isso. Logo se tornou uma obcessão. Comprou uma empresa que faliu. Aquela nota havia saído do banco novamente. Passou pela mão de várias pessoas lá dentro, como a de uma senhora muito velha, que queria depositar cem reais na conta de seu neto. Era o que tinha e não queria deixar o neto sem nada. Ela havia conseguido depois de muito tempo juntando trocados, e trocou por uma nota maior no mercado. O mesmo mercado que eu tinha ido. Mercados gostam de troco. Mas esse mesmo mercado recebeu o dinheiro quando um homem o gastou, meio óbvio. Fez sua 'cesta básica'. Era o tráficante.



Imagine agora você trocando um valor material por um sentimental. Imagine se no banco você pegasse a violência, e fosse passando para todos. Todos iriam aproveitar de alguma forma. Mas no final não seria nada proveitoso. Tudo seria nada. Ao contrário de que você pegar, por exemplo, amor. Você irá passá-lo para toda essa gente, e de novo, todos iriam aproveitar de alguma forma. E alguma coisa iria sobrar, tenho certeza; e se fosse então amizade, carinho, o troco de compaixão, 'aceita o troco em balas de ternura?'...

As vezes precisamos dar valor a certos valores. Se valorizarmos o que temos de melhor, quando entrar em circulação, terá um resultado surpreendente.



Melhor ainda seria reconhecer que Deus foi quem nos amou primeiro. Ele enviou seu único filho para nos salvar, tendo Ele, Jesus, morrido por nós. Esse é o maior exemplo de amor, que foi espalhado entre as pessoas de sua época, e depois de 2000 anos ainda continua circulando, e mostrando bons resultados. O amor de Deus é incomparável. Ele só pede para que aqueles que realmente O amam, que continuem espalhando esse sentimento, pois esse sim tem um valor inestimável.



PMSS




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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

3 comentários:

Rakel disse...

Concerteza tems que valorizar o que tem de melhor..E o que temos e darmos agradecer a Deus por tudo...

Paulo Matheus Souza / Éder Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Éder disse...

Atualmente é mais fácil fazer circular MENTIRAS. E como fazemos isso.
A começar por: - Oi, td bem ?

Resposta automática do outro INDIVÍDUO(Seu gato faleceu, não tem dinheiro pra pagar nem uma trakinas, está gripado, com fome, atrasado pro serviço): - Opa ! Ahan. E tu ?

Resposta automática do INDIVÍDUO que iniciou a MENTIRAGEM(Tem só um vale-transporte no bolso, sem leite pras crianças, com uma doença a ser tratada): - Ah, td bem sim !

Precisamos ser mais sinceros. A começar com a gente mesmo.

Bom texto Matheus, tu sabe que tens o dom de criar, de escrever. Nunca pára.

Abraço,
de alguém a milhas de distância.