A culpa foi do macaco


Ultimamente temos visto que a culpa serve de plus para a ignorância alheia. Se a pedra atingiu uma pessoa, a pedra é culpada. Se o ventilador estragou, a culpa é do próprio por não saber se controlar. Normalmente o mais inteligente é o que está com o controle remoto. Burro mesmo é o próprio controle. Mas foi interessante acompanhar esse ano quando a febre amarela atacou por aqui. Ela, na maioria dos casos, é transmitida por um mosquito safado, que pica tanto pessoas quanto macacos. Porém, pobrezinhos, os macacos foram picados antes, e foram os primeiros a mostrar os sintomas da doença para nós. E para ajudar no tratamento, foram recebidos a pauladas pelos moradores adjacentes. Não ajudou muito no tratamento, tanto que, pobrezinhos, eles morreram de forma muito pior. Mas há algo errado nisso tudo: era o mosquito ou o macaco que passava a doença?

Mas não importa, a culpa foi do macaco.

Ultimamente temos visto que pessoas são chamadas de baleias, tamanduás, papagaios, hobbits, bodes, hienas (platéia de programa de humor), formigas, cachorros, cadelas, gatos, vacas e o principal, burros (lembrando que minha irmã me chamava de girafa). Mas quando chamam de macaco a coisa fica feia. Ainda estou tentando descobrir, mas a principal hipótese é que seja algo relacionado com Darwin e os macacos. Isso voltou a tona a pouco tempo, quando o comediante Danilo Gentili, do CQC, fez uma piada de mal gosto chamando um jogador de futebol de macaco. O humorista Hélio de la Penha se sentiu ofendido, por que chamar um homem negro de macaco é deflagrado como racismo. Mesmo sendo uma piada, assim como o Chaves, que foi um dos maiores racistas que já vi, quando chamava o seu Madruga de chimpanzé (e ainda relmático, vejam só!). Ou então, mesmo no futebol, a pouco tempo, fui na sala de troféus do grêmio e vi muitas analogias de que o torcedor do inter é um macaco. Eu torço para o grêmio, logo sou racista. As vezes, mas é pura bobagem, penso que uma discussão dessas não leva a nada.

Mas não importa, a culpa foi do macaco.


Quando pararmos para pensar em algumas coisas, chegamos a seguinte conclusão: mas como não pensei nisso antes! O problema é quando vamos parar para pensar.


PMSS

Share this:

SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

0 comentários: