As vozes masculinas na música cristã


Salmista, reformador, estrela do rock, maestro, ativista. Não há como negar que a música cristã deve muito a vários nomes de diversos estilos, momentos históricos e gêneros. A Revista Selo aproveita o dia dos pais para destacar alguns destes nomes e contar um pouco desta longa – e por que não, incrível – história.


O começo, na própria Bíblia!

Não há como negar que as vozes masculinas nos louvores e adoração são tão antigas que vem da própria Palavra de Deus. Autor do Pentateuco, Moisés já louvava ao Senhor junto com os filhos de Israel, para agradecer as bênçãos que o povo recebeu no período da escravidão do Egito (Êxodo 15.1).
Rei Davi

O salmista Davi nos mostrou diversas canções que são fontes de inspiração para uma infinidade de hinos, canções, devido à grande quantidade poética de seus versos, que nos dá mais do que precisamos para uma boa composição. Uma canção bastante utilizada nas igrejas é o Salmo 100, onde os versículos exaltam ao Senhor em adoração e louvor.

Podemos encontrar em diversos lugares na Bíblia muito sobre louvor e adoração (Colossenses 3.16, Hebreus 13.15), inclusive no livro de Cantares de Salomão, escrito de forma poética, onde a temática se concentra no amor em um casamento cristão.

Têm-se registros de que quando Paulo chegou a Roma, em 54 d.C, ele trouxe diversas melodias trazidas da Antióquia, o que colaborou para que a adoração se mantivesse presente no cristianismo.


Redescobrindo a essência da música cristã.

Durante muito tempo, não se teve registros históricos do louvor a Deus no período pós-bíblico, apenas a certeza de que grupos que fugiam das perseguições romanas mantinham a adoração a Cristo.

Lutero
Durante a Idade Média, o louvor se restringia ao existente no ambiente da Igreja Católica, em corais de música sacra, muitas vezes entoadas em latim. Existiam, já pelo século XII, corais de monges, e diversas composições feitas pelos Papas Hilario e Gregório.

A visão deste cenário foi completamente transformada pela influência de Lutero durante a Reforma. Ele tornou a música cristã algo acessível, tanto pelas músicas no dialeto do povo, quanto à própria inclusão do povo na formação musical – dispensando a idéia de que apenas clérigos poderiam participar de corais. A difícil compreensão do latim para o povo alemão facilitou que a música de Lutero fosse amplamente aceita.

Bach
Lutero compôs 37 hinos, dentre os quais 5 eram derivados do latim. Algumas são velhas conhecidas nas igrejas, como “Castelo Forte”, de 1529, que inclusive foi utilizada em uma melodia do também alemão e talentoso maestro Johann Sebastian Bach. Este também foi um grande colaborador da música num conceito geral, dando diversas contribuições técnicas, mas principalmente colocando uma qualidade musical muito mais sofisticada à igreja. Além de maestro, ele era cantor, compositor, professor, organista, violista e violinista!

A criação de alguns hinos marcantes também vale ser citada, como a da música “Amazing Grace” (Graça Maravilhosa), por John Newton, baseada numa experiência que ele teve em uma embarcação no século XVIII. Este hino bastante conhecido já foi bastante regravado e até hoje existem 3.000 versões! Já “How Great Thou Art” (Grandioso És Tu, tradução livre), conhecida nas igrejas e pela interpretação de Elvis, foi escrita primeiramente em alemão, pelo reverendo Carl Gustav Boberg, se chamando “O Sture gud”, e mais tarde adaptada para o inglês por Stuart K. Hine.

Durante o século XIX, a música permaneceu restrita ao ambiente dos templos, com corais, órgãos e uma infinidade de instrumentos, mas a própria transformação deste espaço deu um novo formato à perspectiva musical. Com a aparição de talentos singulares e a rápida ascensão dos meios de comunicação, a música cristã teve que de certa forma disputar um espaço fora das comunidades, o que talvez tenha sido considerado um meio arriscado, porém válido devido aos problemas enfrentados pelas pessoas nos anos de Guerra. Mas quem sabe essa saída tenha afetado a qualidade adquirida com muito esforço durante anos, e confirmando o que John MacArthur pensou, e que não deixa de ser verdade: as músicas cristãs atuais são inferiores as de 200 anos atrás.

Dorsey e Mahalia Jackson.
Nesta troca de hinos por uma música mais evangelística (com caráter de missão), e mais tarde nomeada música gospel, surge Ika Sankey, considerado o pai do movimento, no fim do século XIX. Foi um destacado cantor que acompanhava o pastor D. L. Moody em campanhas evangelísticas. Isso marca também uma mudança importante, no sentido de que, antes escrita por pastores e teólogos, era agora escrita por pessoas da comunidade, que relatavam seus testemunhos de vida ou mensagens que eram ouvidas nas congregações.

Alguns também consideram Thomas A. Dorsey como pai da música gospel. Ele escreveu a música "Peace In The Valey", gravada por Mahalia Jackson e posteriormente por Elvis Presley. 


Expoentes no mundo, influência cristã.

Diversos artistas que são considerados ícones em seus estilos tiveram um contato fundamental e contribuíram grandiosamente para a divulgação da música cristã em âmbito mundial.

Elvis Presley
Talvez o maior deles tenha sido Elvis Presley, criado em um lar de uma Assembléia de Deus, o rei do rock cantou clássicos hinos cristãos e gravou álbuns considerados referência para muitos, um deles ganhador do Grammy, “How Great Thou Art” (Grandioso És Tu, na tradução livre), além de outros dois prêmios por outros álbuns. Apesar de ter abandonado uma conduta considerada cristã, Elvis manteve até sua morte um convívio com um cantor cristão de muito prestígio, J. D. Summer, do conjunto “The Stamps” (sua voz era considerada a mais grave do mundo, segundo o próprio Guiness Book!).

Little Richards
Little Richards, famoso intérprete da música Tutti Frutti, sucesso dele e de Presley posteriormente, tem uma influência gospel bastante notável em sua carreira. Considerado por muitos um dos criadores do Rock, Richards se destacou mesmo no estilo Rhythm & Blues, e foi bastante influenciado por Mahalia Jackson, a qual ele dizia ter uma voz que o fazia “ter arrepios no corpo”. A fé do famoso pianista e saxofonista também foi bastante testada, principalmente na controversa história de sua homossexualidade. Em 1958, ele abandou sua carreira e tornou-se pastor, porém as dúvidas permanecem até hoje. O mesmo se pode atribuir a Ray Charles, que introduziu o Gospel no R&B, é considerado o 2º maior cantor de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone, porém, teve uma vida ligada ao uso de drogas e casos extraconjugais.

Quando falamos em música country, difícil não citar Jonny Cash, porém poucos se lembrarão de suas contribuições extraordinárias para o mundo cristão, principalmente na companhia de Billy Graham. Cash, assim como outros, iniciou a carreira cantando música gospel, e participou de diversas cruzadas do famoso pregador norte-americano, porém também teve uma vida cheia de problemas, com até mesmo uma tentativa de suicídio.

Em resumo, a fama não faz com que um cantor de grande prestígio permaneça firme em sua fé e tenha uma vida relativamente saudável, porém, alguns cantores tinham uma crença moderada, que influenciou no início e se tornou algo que não é constantemente revelada em seus trabalhos. São casos como os de Jerry Lee Lewis e James Taylor, que começaram cantando gospel, são expoentes em seus estilos, e o toque cristão se resume a influencia inicial. No caso de Taylor, seu estilo muitas vezes é considerado “Country-Gospel-Rock”, e em suas músicas mais famosas há uma mensagem bastante clara de sua fé (como em “Fire and Rain”). Já o pianista Lewis se assemelha à Cash e Elvis no sentido das interpretações de diversos clássicos gospels, mas infelizmente o que ele cantou destoava de sua vida pessoal, o que levou a praticamente não exercer sua fé por muito tempo.

Com Lewis, podemos dizer que houve uma pequena contribuição, assim como ocorreu no início dos anos 80, com Bob Dylan. Diferentemente dos seus contemporâneos, o famoso músico da música folk se converteu ao cristianismo, deixando sua tradição judaica, e deu uma contribuição significativa a música cristã com “Gotta Serve Somebody”, música do álbum de mesmo nome que lhe rendeu um Grammy. O cristianismo na vida de sir Dylan foi duramente criticado por seus fãs, e logo após lançar três álbuns do gênero, retornou a sua fé judaica.

Mais recentemente, vemos uma gama muito grande de músicos com uma fé pessoal que pouco ou nada influencia em seus trabalhos, fato que nós percebemos nas bandas Lifehouse e Switchfoot. O mais conhecido é o da banda U2, liderada por Bono Vox, um cristão confesso, que se empenha em trabalhos sociais mundialmente conhecidos (o que lhe rende um prestígio muito alto entre os cristãos, devido ao fato de o mesmo não ocorrer em cantores declarados gospels). Bono já participou de muitos eventos sociais e musicais com cristãos, e é lembrado muito pela música Magnificent. Chris Martin, da banda Coldplay, é outro exemplo desse estilo, nascido em lar cristão, sua fé tem um papel bastante importante em sua vida. Ele até mesmo regravou uma canção comporta por Jonny Cash antes de morrer, chamada “Until Kingdom Come” (Até que o Reino venha, em tradução livre). O vocalista da banda Creed, Scott Trap, também já se declarou cristão, porém, como Dylan, abandonou a fé em Jesus.


Sucesso e cristianismo: em conjunto

Al Green
O primeiro cantor gospel que fez um sucesso relativo foi James Cleveland, considerado o ‘Rei do Gospel’, ganhador de 4 prêmios Grammys, durante os anos 50 e 60. No mesmo estilo, Al Green merece um respeitado destaque, sendo considerado o numero 65 dos 100 maiores artistas de todos os tempos, segundo a Rolling Stone, ficou conhecido pela música “Let Stay Together”, .

No final dos anos 60, houve o chamado Jesus Movement, conhecido movimento de contra-cultura (em resposta aos hippies). Vários nomes surgirão nesse meio tempo, principalmente Larry Norman, conhecido como o ‘pai do rock cristão’, apesar de ter aberto as portas para diversos outros estilos.

A música cristã teve duas perdas trágicas de artistas fundamentais para a divulgação do evangelho: Keith Green, cantor e multi-instrumentista, considerado um grande talento e precursor junto com Larry Norman, morreu em um acidente aéreo, juntos com seus filhos. Rich Mullins, importante compositor, autor de “Awesome God” (Michael W. Smith/Hillsong interpretaram esta canção), também faleceu em um acidente, este automobilístico.

Blind Boys of Alabama
Alguns grupos de vozes masculias fizeram grande sucesso e são conhecidos até hoje, a exemplo do The Stamps, como Blind Boys of Alabama, The Gaither Trio, The fairfield Four, The Cathedral Quartet, The Florida Boys, The Jordanaires, The Imperials.

Não se pode esquecer do apoio de Billy Graham deu na divulgação e espaço de cantores e músicos sempre oferecidos em suas famosas cruzadas.

Steven Curtis Chapman
Foram poucas as vezes que a fama não tomou conta da vida pessoal de um cantor cristão na música contemporânea. Mas as contribuições nesse sentido são válidas e algumas dignas de orgulho. É o caso de Steven Curtis Chapman, talentoso cantor e compositor estadunidense, ganhador de 5 Grammys e 51 prêmios Dove, sendo o maior vencedor do evento. Chapman,além de outras causas sociais, é um grande defensor da adoção, tendo ele próprio adotado 3 crianças chinesas. Uma delas, Marie Sue, morreu numa fatalidade trágica entre a família, o que lhe deu muitos motivos para começar a causa da adoção. Chapman também escreveu livros e possui grande influência nos estrelato cristão.

Outro exímio cantor e influente cristão é Michael W. Smith, grande amigo de Amy Grant e de Bono Vox, criador de diversos sucessos e também grande ativista. Suas canções são bastante conhecidas e constantemente utilizadas em adoração (como “Open Your Eyes” e “Above All”).


Bandas, Grupos, Solos: contribuições consideráveis.

DC Talk
Diversas bandas de rock, grupos e solos fizeram o mercado musical cristão inflar a partir dos anos 90. Um grupo que merece um destaque especial sem dúvida é o DC Talk, formado por Kevin MaxToby Mckeehan Michael Tait. O grupo, inicialmente de hip-hop, lançou uma versão de “Jesus Is Just Alright’ (que já havia sido regravada desde sua criação em 1966, inclusive pelos Doobie Brothers), e que fez a banda ser amplamente conhecida na mídia (a música até mesmo tocou em um episódio dos Simpsons). O DC Talk, enquanto grupo, levou 4 prêmios Grammy de Melhor Álbum de Rock Gospel. Enquanto grupo, pois no início deste século o trio se separou e seguiram carreiras solos, sendo que Tait atualmente é vocalista de uma banda bastante conhecida: Newsboys.

P.O.D.
Outra banda remanescente dos anos 90 é P.O.D., liderada por Sony Sandoval, a banda de new metal fez o que poucos conseguiram: ganhar fama e manter o rótulo cristão, o P.O.D. conseguiu atingir diversas marcas consideráveis, que poucos conseguiram atingir. O álbum “Satellite” é o mais conhecido e concorreu com “Alive” e “Youth of the Nation” ao Grammy ao lado de bandas como Linking Park, Foo Fighters, Rage Against The Machine. Também fez trilhas para diversos filmes, como Matrix e “Litlle Nick”, de Adam Sandler. Na enciclopédia da musica cristã contemporânea, a banda esta descrita como “Uma das maiores histórias de sucesso na música cristã recente”.

Jars of Clay
Algumas bandas fizeram um sucesso relativo na mídia, mas enriqueceram a diversidade musical cristão, como Jars of Clay (banda de folk rock, ganhadora de Grammys, conhecida pelo seu ativismo na África – BWM -, e pela versatilidade ao longo do tempo), Delirious? (banda britânica, reconhecida pelo som bit pop), Switchfoot (também vencedora do Grammy e ativista, tem um som rock voltada para os problemas sociais e humanos, e se classifica como o U2), Audio Adrenaline, Sonicflood, Burlap To Cashmere, Third Day, Guardian, Downhere.

Falando num som pesado, lembramos da influência da banda Petra sobre um Rock mais agressivo, salvo as divisões de gêneros inseridas, podemos citar: Stryper, Tourniquet, Bride, Mortification, Kutless, Soulfly, TFK, GS Megaphone, Project 86, Pillar, Blindside, Red, Skillet, Whitecross. Também bandas de Punk como MXPX (a mais conhecida desse gênero, tendo atingido considerável fama na mídia) e Ralient K.

Cantores solos, como Kirk Franklin (ganhador de diversos prêmios Grammy e com diversos sucessos lançados, Kirk lutou contra vários problemas, mas conseguiu dar a volta por cima), Jeremy Camp, Marcos Witt também merecem destaque.


Paulo Mathes

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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