Entrevista: Tanlan



Pessoal, desenterrei uma entrevista que eu e o Éder Duarte montamos com a banda Tanlan, no final de 2009, no atualmente habitado por aranha 1 Só Palavra. É pra conhecer um pouco mais sobre essa banda cada vez mais evidente no cenário do rock alternativo cristão (e, por que não, referência do gênero no Brasil). 


"Fábio Sampaio, vocalista da banda gaúcha Tanlan, por email, nos cedeu essa entrevista exclusiva, onde quem não conhece ou já ouviu o som dos caras pode saber mais sobre ela, seus objetivos, influencias e muito mais.

Ficou curioso? É só seguir lendo!

1SP - Quem conhece a Tanlan hoje, pela internet, rádio, tv... poderia supor que ela é bem mais 'velhinha' e 'experi' do que imaginam? Afinal, que história é essa da 'antiga' Fábio Sampaio & Banda? Quando começou essa idéia? Teve alguma influência para surgir posteriormente a Tanlan?

Tanlan: Na verdade, o embrião da TANLAN nasceu com a Fábio Sampaio & Banda. Dois integrantes da TANLAN, Tiago e Beto, mais o Fábio obviamente, juntamente com outro baterista, faziam parte desta formação. 
Era outro estilo, outro som e outra proposta, mais acústica, com violões, etc. Com a entrada de dois outros integrantes, Fernando, baterista, e Wilkirson, guitarrista que veio a sair mais tarde, a banda ganhou outra proposta, que é o formato atual.

1SP - Percebemos que no atual cenário musical brasileiro, há uma tendência a ser clichê. Vocês utilizam de suas influências para sair dessa linha, pendendo pro lado da autenticidade, que é um ponto forte da Tanlan?

Tanlan: Acho que o ponto forte da TANLAN são dois: 
1) A busca por letras que tenham conteúdo e não apenas um simples amontoado de frases de efeito, porque entendemos que a música é um instrumento muito forte de propagação de ideias e conceitos.
Tem bandas que propagam o sexo como fim em si mesmo, sobre o budismo, sobre a maconha, o desespero, a angústia, a falta de esperança, as mazelas de amores não resolvidos, revoluções, etc. A TANLAN se propõe a falar do amor eterno, que dura para sempre; a falar de que há esperança para se resolver um coração partido; há como resolver conflitos entre duas pessoas. 
Enfim, algo mais “positivo”, vamos dizer assim. 
2) Autenticidade é a coisa mais difícil na arte. 
Temos muita preocupação em não repetir fórmulas manjadas ou de soar como “tal época”. 
Mas ao mesmo tempo, não ignoramos o apelo popular que a música pop tem que ter. 
Portanto, acredito que estamos encontrando um caminho próprio em termos musicais, com um som forte, melódico, e quem sabe, único. 
1SP- Sempre surgirão notícias e afirmações do que fazer com a música, do poder dela, o que atingir com ela. Temos muitos exemplos de bandas que utilizam desse meio artístico para conseguir alguma coisa, seja a sustentabilidade mais que parcial ou seja algum trabalho posterior, social. Como vocês enxergam o trabalho que fazem?
TanlanComo disse antes, a música é um instrumento muito poderoso. Pode ser agregador, pode ser disseminador de muita coisa, boa ou ruim. Mas para a TANLAN, fundamentalmente, a música dever conduzir à reflexão. Ter a capacidade de provocar um questionamento no ouvinte, por mais que ele sinta o prazer do som, do ritmo, da melodia. Como somos uma banda de rock cujos membros são cristãos, nós cantamos o que vivemos. As letras refletem nossa visão de mundo e nossos valores como pessoas. E dentro dessa visão está o interesse de querer sim, fazer a diferença no meio em que vivemos. Talvez ainda nos engajemos em projetos sociais, como existe nos Estados Unidos a Habitat For Humanity, a World Vision e outros. 

1SP- A Tanlan já tem dois discos lançados: O primeiro, um EP com quatro músicas (Marionetes é a nossa favorita) e leva apenas o nome da banda como título. Já o segundo trabalho, vem como um turbilhão de criatividade, raízes e muita classe, dificilmente remete alguma outra coisa. ''Tudo que eu queria'' é a cara da Tanlan. Qual a identidade de vocês? Como vocês classificariam som?

TanlanEssa é sempre a pior pergunta para um artista, porque como disse antes, sempre há um desejo da originalidade na produção artística. Acreditamos que estamos encontrando um caminho original, que talvez seja concretizado daqui pra frente. Acho que o som da TANLAN é forte, agressivo em algumas vezes, soft em alguns momentos, mas melodicamente muito diferente do que há por ai.
Gostamos de juntar elementos melódicos do rock britâncio com a diversão e descompromisso do rock americano.
E acho que isso está presente nesse disco. Fica difícil de dizer qual nossa identidade. Quem deve afirmar isso é quem nos escuta e, principalmente, quem nos vê ao vivo. 

1SP - A banda U2 (uma das referências sonoras citadas por vocês) consegue combinar música com o que pensam e acreditam ser fundamental para um foco que desejam alcançar, pessoas. E conseguem também, esclarecer as coisas sem serem rótulados (Bandinha de Fé, Gospel etc). Percebemos que muitas bandas atualmente colocam um 'rosto' e uma 'roupa' a frente do trabalho, antes de simplesmente, tocar, ESTRAGANDO assim, ou, atrasando, toda a credibilidade recebida por ouvintes, pelo péssimo produto musical e distorções para qualquer coisa nas letras. A Tanlan tem uma preocupação incrível com todas as palavras cantadas. O que é mais fácil hoje: Sobreviver ao pobre meio artístico dos que se dizem 'alguma coisa', ou sair 'pelas beiradas' (fazer música pra pensar) como forma de serem livres pra tocar como e aonde for?
TanlanU2 é uma ótima referência. Por princípio, a TANLAN nasceu para tocar em qualquer lugar. Porque entendemos que a mensagem das letras serve para todas as pessoas. Estamos falando de seres humanos, que erram, se frustram, sentem-se sozinhos, etc.
Mas sem a pretensão de soar “cabeça”, porque periga ficar muito chato. Se você reparar na letra da faixa Tudo Que Eu Queria, ela discorre sobre a desilusão de um garoto que queria ser como o pai, mas não conseguiu. E sente falta daquela inocência onde o pai era tudo pra ele. Esta não é uma letra “cabeça” , é apenas uma história. Mas se você quiser, pode ser um paralelo sobre a perda da inocência, sim. 
Quero dizer com isso que nos preocupamos em passar sentimentos e reflexões nas letras sim, mas sem forçar muito a barra.

1SP- O ano tá acabando e não sei aonde e qual CD comprar pra me dar de Natal. A Tanlan dá algum palpite?

TanlanCompre o nosso, ora! E se quiser, uma boa dica é o novo do Switchtfoot - Hello Huricane. Uma banda que é referência pra gente em várias coisas. 

1SP- Mandem um recado pra quem estiver lendo a entrevista... além disso, o que podemos esperar da Tanlan para 2010?

TanlanFaçam diferença, sejam relevantes, descubram, desenvolvam e usem seus talentos da forma mais sábia possível. Amem as pessoas ao seu redor e tentem de todas as formas mostrar que a vida é muito mais do que viver o agora.
Em 2010 a Tanlan pretende desbravar ainda mais os rincões do RS e o Brasil. 
Shows, textos, músicas novas e vídeos interessantes vêm por aí.
Aguardem!


Fábio Sampaio, Tiago Garros, Beto Reinke e Fernando Garros.


Twitter da banda: @tanlan

Por: Éder Duarte

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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