Até mais, Antônio!


11/05/2013

Os dias se arrastam, cada vez com mais intensidade. Acumular funções rotineiras te faz viver um pouco menos, é nisso que eu penso. Só percebi quando me pego esquecendo de nomes e datas. Somos perfeitos em vista dos que nos rodeia, mas não o suficiente para simplesmente vivermos.

Esta semana me chegou uma notícia da qual é difícil de se aceitar no formato humano: a perda de alguém. Nos acostumamos a ter as pessoas a volta, sejam novas ou já nem tanto, que guardamos seu espaço em nossa memória como peças de um jogo de xadrez já a muito não utilizado. Sabemos que está lá, ou estará até que o tempo interfira no espaço.

Antônio. Pastor. Missionário. Acriano. Mas um gaúcho por opção. A não ser por um detalhe: ele gostava de comer feijão no churrasco. Talvez eu não seja lá quem melhor poderá descrever ele. Posso deixar para sua família, seus amigos de longa data, ou o Éder Duarte, que desde quinta, dia 09/05/13, se mobiliza para que ele tenha um enterro digno ao lado de sua família no Acre. Mas  posso falar algo sobre ele, talvez o mais essencial do que ele nos proporcionou: a facilidade de fazer um amigo em tão pouco tempo.

Lembro de três oportunidades que tive para conhecê-lo: A primeira, em sua casa, foi numa reunião de amigos, nada formal, para bater um papo e comer uma pizza. Sua casa era alugada próximo a igreja, e seus hábitos simples. Ele cursava filosofia na Unisinos. Conhecia de Platão à Brennan Manning. Você podia conversar e ao mesmo tempo aprender muito com ele! A segunda foi num churrasco no Éder. Daí que saiu o tal feijão no churrasco! A sua figura carismática e divertida sempre falou mais alto. A terceira foi numa Assembléia de Deus em Cachoeirinha. Na oportunidade, o Éder e sua banda tocaram antes dele passar uma mensagem. Se dizia admirado pela igreja ter aberto as portas para ele, sendo que anos atrás o mesmo seria improvável; contou um pouco sobre ele e seu ministério. Falou sobre o sítio que havia conseguido para ajudar dependentes químicos. Falou, mas o que ele fez foi muito mais.

Depois, apenas nos cumprimentamos quando o encontrava aqui na rua, na maioria das vezes quando eu chegava da faculdade e ia descansar para acordar cedo na manhã seguinte. Creio que há tempo para todo propósito debaixo dos céus. Eu posso reclamar hoje que poderia ter aproveitado um tempo maior para conhece-lo. Sem dúvida, é uma verdade. Mas tenho fé que mais conversas e mais mensagens eu ouvirei dele na Glória. Tenho fé que ele está com Deus, e nos espera, assim como aqueles que, pelo plano do Senhor, não pude conhecer verdadeiramente e estão lá nas alturas. Escrevo hoje pois senti sua partida como a de um amigo de longa data. Fiz questão de convidá-lo para celebrar o meu casamento com a Dani. Chorei na sexta ao lembrar que não fiz o convite pessoalmente, mas pelo Éder. Ele havia aceitado. E com alegria. O considerei um grande amigo, e espero vê-lo com nosso maior amigo no céu. Apesar da tristeza, sei que, se buscarmos, o tempo de Deus é justo. É desse tempo que eu preciso.

Até mais, Antônio!

PMSS

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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