As desventuras de amigo Menino - III

Cont. Cap. I

Iceberg ficava intrigado com a tamanha astúcia de nosso amigo Menino. Também, qualquer um perto dele era seu superior, talvez um chimpanzé seja o suficiente para exemplificar. Mas era verdade que nosso amigo Menino dispunha de inúmeras habilidades que dentre os demais yesterdays. Não era apenas um mero acaso ter formato de humano naquele mundo em que o camundongo tinha chifres de alce.
Nosso pequeno grande amigo Menino estava agora em clima de estudos. Queria aprender línguas diferentes, que fossem úteis agora, como a língua aramaica, que era utilizada como senha de diversas cavernas do Alaska. Fora educado toda a vida por um velho, apesar de inteligente e sábio, era caduco e aparentemente um atrapalhado, teoricamente louco, provavelmente entérico, levemente calvo. O nome do velho era Rubio de la Donnart, famoso entregador de pizzas da Itália Moderna. Algo que nosso amigo menino carregou em sua memória foi a lição de vida que esse velho trambiqueiro deixou a seus netos: todo o santo dia, o velho ia a pé de Veneza até Roma entregando suas pizzas de araque. Entretanto, fazia a viagem com escalas em diversas cidades, e a pizza quase nunca chegava inteira no destino (o velho pesava cerca de 130 quilos). E agora, pergunta-se: como um retardado desses conseguiu aprender uma língua tão antiga, patrimoniosa e inaplicada para o período histórico? Eis a questão.
Logo chegariam primeiramente ao farol de Lizard Land. O farol também significou igualmente a certos pontos turísticos mundiais como a torre Eifel, a estátua da liberdade, entre outros, pois na realidade fora o único a permanecer em pé, devido às guerras que enlouqueceram o mundo no período de “Guerra da água”. Próximo a este farol, em meio a uma série de depressões, na maioria causada pela falta de água, nossos dois aventureiros encontraria o misterioso bosque da caverna. E eis ai outra dúvida: como crescera vida dentro de uma caverna sombria e asquerosa? Bem, fora dela seria improvável o nascimento de árvores. Mas o bosque de árvores coníferas não era o que mais impressionava e sim o lago esverdeado. Era uma paisagem deslumbrante, arquitetado pelo acaso, de plantas que migraram e salvaram suas peles (ou tecidos, fibras, como calhar). Apenas o teto da caverna era o inconveniente. As luzes que se projetara em buracos no rochedo trouxeram conforto térmico para que aquela vida pudesse brotar naquela caverna.
Mas uma luz surgia de tempo em tempo no centro ou aparentemente distante do lugar onde estavam. Era vermelha e incandescente. Parecia como uma fogo que se espalha rapidamente (Wildfire, música da banda P.O.D.), consumia (Consume me, da banda Dc Talk) um espaço imenso naquela escuridão que envolvia a caverna todo dia (All Day, da banda Hillsong United). Vinha inicialmente de uma arvore de proporções medianas, que dava a impressão de estar a respirar (Breathe, música de Michael W. Smith), e desta arvore, saia um som o qual ordenava a quem estivesse na caverna para abrir seus olhos (Open Your Eyes, música da banda Pillar) e ver o novo mundo (New world, música de Toby Mac). Nossos amigos estavam sem entender nada daquilo.
- Que coisa estranha! – disse o molóide.
- Para mim não. – afirmou o amigo menino.
E a arvore continuava dizendo suas frases, umas como “abram seus olhos para um novo mundo, pois estamos em tempos loucos (Crazy Times, música da banda Jars of Clay)”. Aos poucos nossos amigos foram adormecendo e nada os impedia de cair no sono profundo daquelas frases, pronunciadas delicadamente, mas com sentido, de fato, sem perspectiva nenhuma.
O sono era pesado, sem sonhos e perdido.
Aos poucos, a luz avermelhada, que refletida na água, acendia um suposto amanhecer, e acordava nossos incansáveis aventureiros. Na verdade, apenas nosso amigo menino acordou, Iceberg tinha Doutorado e Especializações em matéria de Engenharia do Sono. Mas, mesmo tendo praticado bastante nesta faculdade imaginária a pratica do ronco, acordava (ultimo semestre da faculdade) com um simples tapinha de leve.
- Acorda Donald! – grita Menino, nervoso.
- Abralazcscccoozzzzzzzz... – reponde Iceberg, em uma língua utilizada pelos sonâmbulos na faculdade de Engenharia do Sono.
- Já entendi, também falo este dialeto. Quer que eu te acorde com um maravilhoso e quentinho, recém passado pontapé!
- Já to em pé! – diz Iceberg, resmungando como sempre e estralando os dedos da testa, que por sinal tinham unhas enormes e imundas.
Menino olha seu relógio e vê as horas: 56h23min. Teriam dormido messes ali dentro, pois estavam se sentindo até meio jovens. Mas agora nosso amigo torna a olhar o seu relógio: 56h24min, dia 30 de abril de 2500.
- Impossível! – exclama ele, tendo eles entrado naquela caverna em 15 de fevereiro de 2480!
Sem saber o que fazer, corre para fora e avista um meteoro partindo boa parte da Terra e sucumbido montanhas que ocupavam a região. Alguns detritos ainda caem sobre a cabeça dos dois, que nada sentem. Tentam modificar algo, mas em nada interferem, e resolvem voltar para a caverna.
- O que vamos fazer Juca?! – pergunta Iceberg, nem lembrando o nome do amigo.
- Pior é que eu não sei.
E retornando a olhar para o relógio, percebe que já está em 23 de dezembro do mesmo ano. Assim, fica sem ações por alguns dias (de acordo como marcava o relógio). Iceberg não sabia o que fazer. Via o amigo, que era o cérebro da equipe, parado sem uma idéia e ele, pior ainda. Batia freqüente mente a cabeça em galhos da arvores.
Enquanto isso, Menino tentava decifrar códigos manuscritos nas paredes da caverna; Iceberg ainda continua batendo constantemente a cabeça nas árvores, agora com intempéries mais fortes. Menino olha o relógio e nota algo agora estranho. O relógio está mais lento e para em um exato momento no dia 27 de dezembro. Ao decifrar os códigos, percebe que Iceberg está derrubando as árvores.
Ao ver Menino chegando, Iceberg já pensa: “Ih, lá vem ele me xingar!”. Ao contrário disto, Menino começou a derrubar árvores e disse a Iceberg:
- Continue o que estava fazendo.Sem entender a decisão do amigo e seguindo seu estilo de “Mandoueufaço”, continuou derrubando as árvores. Isso fez o relógio regredir até a data em que eles entraram no buraco. Pela escrita da caverna, “presença de vida não semelhante ao natural do lugar, ocorre um efeito de distorção do tempo, sendo que a estabilidade só voltaria quando uma dessas espécies fosse completamente destruída”. Então, o dia foi salvo, graças ao Pato Donald.
Continua no Cap. II...

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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