As desventuras de amigo Menino - IV

Capitulo 2 - Outros velhos na nossa barca...


Entre tantos outros lugares para se cair, e Billy foi cair logo no primeiro buraco de uma encosta na cordilheira do Andes, agora Cordilheira de Carbono, com temperaturas que variam de 40° até 70°. Ele e seu cachorro Nice estavam exaustos mesmo no inverno, que não se parecia em nada com o passado do lugar, onde existia água, e ainda por cima, em forma de neve.
Mas Billy não era humano, é claro. Não suportaria uma semana com temperaturas superiores a 50°. Porém não era um yesterday. Billy era habitante de Geleiras na Antártica, e após o derretimento total, ele se descongelou e voltou a viver. Era um ser jurássico. E acostumado a viver em climas quentes. Mas a Era do gelo lhe fez parar no tempo, durante um período não exato para citar. Mas, na época em que foi congelado, ainda era filhote, de humanossauro (Uma espécie de pessoa com o corpo revestido de escamas como de répteis e asas de pterodátilo, rabo de mamíferos primitivos e brânquias de peixes também primitivos). Contudo, esta espécie possuía um cérebro parcialmente humano, a não ser por pequenos detalhes fúteis (era meio abobado).
Bem, apesar de não se interessar muito sobre o passado e o futuro de onde ele vive (outra falha deste cérebro), não costumava fixar-se em um lugar apenas, corria por onde tivesse terra. Agora caía em um buraco desconhecido para ele e um tanto enorme (também não tinha noções de medida, e nem se interessava em saber). Apesar de ter se esfolado um bocado na queda, continuou andando (que cérebro, ein!) por notar inúmeras luzes no horizonte. Mal sabia ele que estava a caminho da Cidade perdida do Sul.


Popogenic’s estava colocando Iceberg na linha. Mesmo sendo um velho que aparece sem mais nem menos nesta história, Popogenic’s tem altura superior ou igual(>=) a uma barata. Tonta. Assustou ele (Iceberg) dizendo que havia outros três velhos iguais a ele no caminho para a cidade do Sul. E de fato existiam. Eram eles: Oteromequitá, velho pançudo e ridículo, mas com um potencial de genialidade acima do comum; Maisá, dono de cinco punhais do mestre Klun e autor do último livro publicado em tempos de civilização (O mundo catalítico de agora) e o guia que os levará até próximo à cidade sulina (pois não se pode encontrá-la com o intento, mas por puro acaso), o sub-mestre Juca Pascoal. Sem o auxílio destes três, talvez seja improvável a chegada no “Horizonte Fértil”.
Menino estava começando a entender certos mistérios que aconteceram na Terra durante a Revolução ocorrida. Após explosões inexplicáveis que aconteceram durante o período pré-desracionalização do planeta ocorrido em meados de 2300, onde certos valores alienígenas foram integrados a espécie humana, como antenas e corpo com aparência e textura verde (como nos desenhos do pernalonga). Isto modificou e muito a percepção do meio. Na verdade, tudo em muito mudou. Porém, foram inúmeras mudanças, as quais Menino não compreendera, pois fora educado pelo mestre Klun. Mestre que, em principio, era mestre por saber dos costumes de antigamente e não das que vieram através das mudanças. Contudo, quando fora libertado da cidade dos yesterdays, Menino foi acostumando-se a hábitos do cotidiano. Como por exemplo, os imensos desertos de carbono, uma perspectiva igual em todas as partes do globo terrestre. Uma herança do mestre eram as três moedas mágicas. Depois de recebidas, nunca houve necessidades para ele, pois as moedas, uma vez que utilizadas juntas, trazem certos benefícios, como ausência de fome, respiração perfeita e estabilidade térmica. Alguns moradores da antiga Müllre especulavam que depois que Menino recebeu as moedas, seu comportamento mudou de aprendiz para “estupidiz”. De fato, mesmo com o mestre defendendo que nada mudou no rapaz, algo tornou diferente o aspecto de Menino. Suas respostas eram mais ultrajantes.
Bem, na verdade, ninguém sabe o efeito que causa a apropriação das três moedas, assim como seu mistério mágico permanece em questão até hoje.
Já o punhal que possuía não tinha nada de mágico, mas possuía sinal de respeito. Ao saber sobre Maisá, Homem de cinco punhais, Menino se interessou mais em conhecê-lo, devido obviamente na fama que possui este artefato. Ele era concedido apenas pelo mestre Klun, que era humano legítimo. E ser humano legítimo era posto mais alto de toda a terra; seria reconhecido como mestre qualquer humano. Por isso a vontade de achar a cidade do Sul, imaginária para uns, possível para outros. As diferenças básicas entre um yesterday e um humano são: respiração, principal pela diferença em potencial, Raciocínio, Sentidos, Imunidades e Evoluções. Mas todas com um sentido mais lógico de explicação: Um yesterday equivale a 50% de um humano.
Em escolas de Müllre, é ensinado que o homem dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI eram destruidores de si mesmos. Em parte, uma didática errada, pois incentivava aos pequenos a importância de odiar os antepassados e o que vier deles (no caso, já era conhecida a possibilidade de encontrar uma cidade perdida só de humanos). Mas correta no sentido de culpar só aqueles homens; que a criatura que és no presente é conseqüência total do passado, de modo que ao mudar o presente, estaria melhorando o futuro, perpetuando a espécie em seu melhor estado.
Mas o resultado deste ensino era dos piores: “Os humanos tiveram o fim que mereceram!” – eram frases conclusivas de alunos do ensino dos yesterdays. Ou como diziam filósofos no passado: “A irracionalidade sempre mudará de estado em seu decorrer, entretanto será delimitada por um principio e um fim, de átomos mais indivisíveis até criaturas gigantescas”. E por fim, deu-se por desenvolver esta teoria sem um pingo de negatividade.
Bom, largando fora a filosofia, nossos três aventureiros encontraram o primeiro vestígio de vida durante o percurso para o sul: pedacinhos de mortadela Bolonha.
- O que é isto? – perguntou o velho, que ficava três dias sem ingerir alimento, uma façanha para a época.
- São fatias de carne – respondeu Menino.
Para Iceberg era inútil conversar sobre comida. Não tinha estomago e vivia do carbono que lhe penetrava as narinas.
E após dois trias, os ventos mudaram de direção em apenas meio tria. Isto, para o velho Popogenic’s significava uma coisa: estavam próximo do “maravilhoso lar” de Oteromequitá. Lá, iriam saber ao certo como chegar à cidade do Sul.


Mas esta jornada que era enfrentada pelos nossos heróis estava fedendo para os olhos de alguém. Era João Júpiter, líder de Müllre. Ele era um intrometido que queria dominar o mundo (o vilão desta história). Mas, com a ajuda de Pepet’s Func e do povo de Müllre, nada conseguiria detê-lo. Seu objetivo era a destruição desta cidade do Sul, e todos seus habitantes. Mas não eram apenas eles que almejavam a destruição desta cidade. Um mestre na arte de agir sozinho, Xaropink’s Xarope era um mago de operações daquela época. E não planejava primeiramente destruir a cidade do Sul, mas eliminar Menino, que era seu inimigo letal. Não por questões próprias, mas para manter certa rivalidade com alguém. Isso aconteceu em diversas situações na sua família antepassada. E sua família não teve um final feliz. Ele era uma mistura metamorfesica de lagarto com avestruz. Poucas qualidades, porém, tem em relação ao avestruz, a não ser que após colocar ovos, os come.
As intenções de Xaropink’s eram das mais inúteis. Sua filosofia de vida era:
1- Manter sua espécie em extinção, pois detestava a si mesmo;
2- Eliminar Menino de vez;
3- Comer, beber e dormir.
Apenas a segunda ele não tinha condições viáveis de conseguir, ao menos que se juntasse com o resto do Yesterdays. Que se dividiam no momento entre defender seu líder e apoiar o viajante Menino, que João Júpiter insistia em dizer que morreu.
Porém, contudo, todavia, entretanto nosso inimigo de nosso amigo não pretendia a se aliar se quer com uma lesma (apesar de manter relações de aprendizado com um caracol humanóide).
Xaropink’s Xarope é conhecido por todos como o fantasma do Alaska, pois foi encontrado morrendo de frio em 2205 por Arqueólogos Psiquiatras numa geleira. Ficara branco como sempre foi. E ainda é (não possui penas como os demais avestruzes, que na verdade nem existem mais, porém possui escamas como de lagartos, mas com coloração branca).
Mas para avisos de utilidade pública, Xaropink’s não oferece riscos à saúde, salvo decreto de lei nº6767 que diz o seguinte: “A todos os aqui presentes nesta comissão de direitos e deveres do cidadão Yesterday, não se oferece risco a nossa debilitada saúde a aproximação de certos mondongos que a primeira vista parecem inofensivos, e a segunda também, assim por diante, e não citaremos nomes dessas espécies, sem esquecer é claro de seu elícito criador, Xaropink’s Xarope”.
Sendo assim, e já sabendo deste decreto, Menino não corria perigo partido deste partido. Contudo, Xaropink’s prometia para si mesmo que eliminaria Menino deste planeta. Ou não se chamava Xaropink’s Xarope Yourself.
Continua...

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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