Como fazer uma história sobre uma ponte





Certa vez, em um dia ensolarado e não muito longe da nossa contagem de tempo, quatro estudantes passeavam pelo parque - pode-se dizer que as aulas haviam acabado naquele mesmo dia, descartando então a hipótese de "fugindo da barca". O parque se chamava Duas Ilhas, pois era cortado por um rio, o qual cortava também a cidade. O parque era unido por uma única ponte, que fora erguida inicialmente como travessia da zona urbana para a rural. Naquele tempo apenas unia as duas partes do parque.

Bom, o que importa realmente é que os... ah é, os quatro estudantes, após sairem da escola, escolheram a sombra do parque para descansar. Diga-se de passagem, o parque era o único lugar descansável na cidade. Lá poderiam dormir, porque não, sossegados embaixo de uma macieira repleta de frutos (bom citar também que era época de maças...). Ao redor, crianças, namorados, cachorros, mais crianças, bicicletas, vendedores de pipoca, guardas, velhinhos e uma porção a mais de crianças usurfruiam do parque, melhor, o lindo parque.

A noite estava chegando, quando em apenas um segundo, não havia mais sequer um grilo para estragar o silêncio que se instaurava. Os quatro (da esquerda para a direita: Dudu, Dodo, Leco e Lilo) acharam que era tarde. Mas é claro, como todas as outras histórias, não poderia faltar aquele personagem aventureiro que sempre quer algo a mais do que um simples passeio. Bom, deixa eu ver... nesse caso será o Dodo.
- Pessoal, e se não voltarmos para casa e ficarmos no parque? - o primeiro que respondesse seria o do contra do contra. Certamente um deles ficaria em cima do muro. E o outro...
- Boa idéia!!! - disse Lilo
- Como assim boa idéia? Vamos morrer se não voltarmos!!!
- Também acho mas... quem sabe seja um bom início para nossas férias!!! (Esse é o do muro, Leco).
- Ficou maluco?! Se aprontarmos no início ficaremos o meio e o fim de castigo!!!
Nessa parte da história fica evidente que o do contra do contra (Dudu) está com toda a razão. Mas por questões de maioria de voto e de bom senso com os leitores aventureiros, passamos a parte da aventura, que convenhamos, poderia ter sido melhor...
Dodo, o mais elétrico do grupo (certa vez tentou vestibular de engº elétrica; não passou, mas tomou choque quantas vezes você imaginar consertando tv's mais tarde) quis logo sair correndo. Os outros o seguiram, sem saber o porquê da loucura. Ele correu até a ponte. Parou antes de chegar efetivamente a ela. Virou-se para os amigos com um ar de filme de suspense. Eles chegaram com medo do que ele iria contar. Seria outra piada sem graça?
Não. Desta vez ele queria falar sério. Era sobre uma lenda... mas deixaremos ele contar, se o narrador contar fica sem graça...
- Era uma noite de lua cheia (risos)... Tá bem, foi a muito tempo. Seres indescritíveis apareceram em nossa cidade e deixaram um bebê. Ele foi acolhido logo depois por uma senhora que morava em baixo da ponte. Ele cresceu como um de nós. Mas passaram-se os anos. Seus pais regressaram ao local e queriam-no de volta. A velha senhora disse que não, que queria ficar mais um tempo, pois aquele menino era a única coisa que tinha, fora as roupas e a declaração de isenção do imposto de renda. Bem, eles deram um prazo para ela. Se ele não voltasse por sua própria índole em seis anos, eles voltariam e destruiriam nossa cidade.
- Nossa bela história, Dodo! Quem sabe ela não será publicada em algum blog na internet? - brincou Dudu.
- Quieto, não o interrompa! - disse o Lilo, que estava gostando da aventura.
- Mas espere um pouco... - interrompeu Leco quase caindo do muro -, onde você quer chegar?
- Não percebem? Estamos nesse local agora mesmo, e vejam que está de baixo da ponte?
Era realmente uma senhora e seu filho, estavam comendo uma espécie de sopa, e parecia apetitosa...
- Viram? - insistiu Dodo.
- Tá, e como saberemos quando os alienígenas irão invadir nossa cidade e destruir tudo?? - disse Dudu.
- Está na lenda que dentro de pouco tempo. Ouvi falar que não passaria desta noite!!!
Lilo deu um salto de susto. Dudu de uma gargalhada profunda. Mas todos silenciaram quando Leco disse:
- Esperem! Vem vindo alguém!!!
Eles correram para a primeira moita que acharam. Estavam todos com medo, inclusive o incrédulo Dudu. Apenas Leco podia ver o que acontecia. Ele notou naquela escuridão quatro seres. Muito altos e fortes. Pegaram a velha e o menino. Gritavam alto com eles. O menino tentou se defender, mas em vão. Foi contido por um dos seres.
- Eles são muito fortes! - disse.
Passou um tempo de silêncio, a escuridão matava qualquer com o medo. Leco não viu mais nada. Levantou-se e caminhou um pouco para o lado. Mas ouviu uma voz que o fez tremer.
- O que está fazendo aqui garoto?
- Não me mate! - gritou.
Estava escuro mesmo! Mas logo quando se virou, teve a impressão que seu susto se tornara uma raiva factual. Era apenas um policial. E outros três levando a velha e o menino. De trás da moita, os três saem e gritam:
- Largue ele ou chamamos a polícia! - disse Lilo.
- Ou o quê? - disse o policial.
Bem, logo depois na delegacia, se esclareceu a história. A velha e o menino estavam em lugar irregular. Por isso foram expulsos. Os meninos foram liberados pela polícia. Notícia boa? Todos nós e Dudu sabíamos que as detenções familiares costumam ser terríveis... e assim foi para cada um, pena de uma até três férias.
Depois de alguns anos, eles continuaram amigos, se encontravam muito em pescarias. E é claro, Dodo era o melhor pescador...
Ah, e a velha e o menino sumiram misteriosamente...
PMSS

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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