Uma carta qualquer...


Segunda, dia 2



'Maldito Zwaq,






Quero espressar nessa carta minha profunda tristeza contigo. Fiquei te esperando dez minutos em frente ao cinema, mas você não apareceu. Fiquei feito boba na frente daqueles velhos chatos, que esperavam para ver "Agente muito secreto", um filmaço. Sei por que fiz o download na internet, pois não quis ver no cinema sem você, seu bosta! Você me magoou, sai chorando e correndo. Não olhei para trás, mas desconfiei de uma voz que me chamava. Mas não quis parar. Pensei que fosse diferente. Confiei em ti, mas agora já era magrão. Eu te amava mais do que minha própria cadelinha, a Laika. Ela sim é que merece minha atenção. Vou esquecer tudo o que passamos junto, vou juntar todas as suas cartas e colocar como papel para gordura na cozinha. E mesmo assim, não vou mais cozinhar! Espero que não retorne, seu idiota! É o fim.






Com má vontade, Melissa'






Quarta, dia 11






'Querida Melissa,






Acho que ouve algum engano, não sou esse tal de "Zwaq", talvez tenha acontecido algum erro no envio da carta... No entanto, sobre sua situação, não querendo me meter, acho que você está sendo injusta com seu namorado. Primeiro pois ele escolheu bem não ir no filme, é muito ruim, era melhor então "O barco do amor", combina muito mais com a situação. E segundo: sua cadela não será mais importante que ele, caso falte money mais tarde.



E não querendo me meter mais ainda, você fez o download por qual site?






Com lembranças, Underson'






Quinta, dia 19






'O meu,



tu tah ligado pra qm tu tah mandando esses bagulhos ai, cara? Te liga, mano, acha que pode fazer os negócio e fica ileso? Hã? Se mandá de novo essas carta nada ve, eu ti mato, e depois te pico. Hã? Acha que não? Te liga jacaré!






do presídio, Mano Malandro'




Quarta, dia 25




'Querido Malandro,




eu tenho 10 anos, estudo na minha escola, mas não entendi muito bem o que disse... peguei a carta no correio e não mostrei para minha mãe nem pro meu pai nem pra minha vó nem pro meu irmão chato e nem pra minha irmãzinha chorona. Não entendi por que você quer me matar, sou inocente, acho que sei o que houve. O Dudu, aquele bobão, acha que fui eu que furei a bola dele, e deve ter mandado você me matar. Mas digo que não fui eu, acho que foi o Teco. Por favor, diga que não vai me matar!




todo cagado, Tonho'




...


...


...




Segunda, dia 30, nos correios




'Sr. Valdelino,




compareça a minha sala imediatamente. Descobri que você anda endereçando as cartas erradas e o quero aqui sem demora. Veja se isso é coisa que faça! Sabes como descobri? Recebi uma carta de um dançarino que queria seu dvd do Sepultura de volta.




não muito feliz, seu chefe!




PMSS

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

1 comentários:

DaniLopes disse...

Caracasss Pauloooo....ADOREIIIIIII

Tu és de um talento únicoo! =)

Rii demaisss!!!

Muito bomm ter pessoas como você pra nos proporcionar ótimos textoss!!

Adoroooonnn \0/