A opção por ser, a opção por não ser...


É muito comum ultimamente querer cursar uma faculdade, achar um bom emprego, casar, felizes para sempre, carro(s), casa(s), seguro(s), ser assaltado uma vez na vida (tanto à mão armada quanto num pedágio), garantir o futuro dos filhos e morrer sossegado. Só que é mais comum ainda ver que as pessoas esperam que essas coisas apareçam com o tempo, como se um trem invadisse a residência e o maquinista gritasse: "Próxima parada: Terra da Rapadura!".

Um pouco improvável. Ainda mais num mundo onde a gente ganha mais problemas do que soluções.

É triste dizer isso, mas pessoas traçam objetivos na mente e acabam seguindo por caminhos adversos. Imaginem se um médico não tivesse tanta certeza de que queria ser médico. Ele já está formado, mas sempre quis ser veterinário. Não que ele trate as pessoas como animais... porém nem sempre seguimos o que almejávamos ser (já havia usado um exemplo assim anteriormente). Mas será que isso pode nos atrapalhar em algo?

Essa situação é nova: imagine um cortador de cabelo que sempre quis ser comentarista de futebol. Ao invés de cortar o cabelo quieto, ou apenas falando as velhas palavras puxassunto "Tá quente hoje, ein?", quando surge a oportunidade de contar sua mais nova tese do esquema 3-5-2, ele não perde tempo. Chega a montar com shampoos como ficaria seu esquema de contra-ataque e começa a dizer quais jogadores se habilitaria para as posições. Pode ser que o cliente não goste tanto assim de futebol... talvez um pouco improvável. O mais certo é que nem todos terão paciência pra esperar sua falação. Nem todos mesmo.

Bem, o que importa é que certas escolhas podem parecer um tanto diferente daquilo que queríamos. E isso pode deixar sequelas no que fazemos. A chateação é uma delas. Trabalhar para ganhar dinheiro e não para satisfazer-se.

Como? Trabalhar agora é bom? Desde quando?

Já dizia o velho Seu Madruga, "o trabalho não é ruim, ruim é ter de trabalhar". Mas quem disse que, por mais chato, difícil, terrível, complicado, exigente, imundo ou longínquo que seja, o trabalho não é bom? Quando Adão aderiu ao trabalho como forma de se sustentar (ai está quem criou o trabalho, para aqueles que procuram), foi uma escolha sua, e tão logo, teve que se adaptar. Sabe o 'trem da rapadura'? Pois é, não havia mais, e Adão teve que trabalhar (não de fígaro). Muito provavelmente plantando, esperando e logo colhendo. Mas o esforço adquiriu significado. E hoje, ele nos passa algo como um longo aprendizado, algo que nos dá ânimo ou apenas uma forma de se exercitar. A nossa sobreviência depende dele. Mas a forma como lidamos com nossas necessidades é que pode ser um problema.

É o caso da oferta. O mercado está precisando de inúmeros 'colhedores de jaca'. Há uma grande deficiência nessa área, e paga-se muito bem nela. Mas todos gostamos de colher jaca? Eu, particularmente, só gosto de comer...

Então, em outras palavras, trabalhar é fazer o que gosta? Nem sempre. Jogar video-game e comer uma Trakinas durante não é lá algo que renda muito. Mas trabalhar naquilo que mais se encaixa no perfil da pessoa evita muita coisa ruim. Desprende a tese de que a pessoa é uma máquina de trabalhar e põe em evidência que o labor tem um papel fundamental em nossa vida: mostrar que somos agradecidos pelas oportunidades e que elas são sempre bem-vindas.
Sempre lembrando: talentos são fundamentais nesse processo.

A idéia de ser lembrado pelo meu trabalho me anima ainda mais!



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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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