Protestos: com ou sem violência?



Certa vez - alguns dos meus colegas de ensino médio lembrarão - um professor de química disse que nunca iria a um protesto. Nessa época do colégio era normal acontecer tais manifestações devido ao aumento das passagens de ônibus, hoje já aceito pela maioria. Disse ele que, se não fosse para quebrar alguma coisa, ele não iria! Hahaha!

Bom... atualmente, no noticiário, vemos uma Europa tomada pela crise, maior que a de 2008. O que mais me faz lembrar de crise são as manifestações que elas causam, onde neste caso, notamos uma presença maciça de estudantes e jovens (no caso da Espanha e França, onde formam a maior parcela dos desempregados). E estes protestos não são nada pacíficos, uma vez que o lema é sempre o de "faça a coisa certa, agora!".

É realmente algo que nos causa indignação; não os protestos, pois protestar (ou apenas ser contra o pensamento conformista alheio) é uma obrigação daqueles que se sentem prejudicados com algo. Mas as empresas que conduzem a economia, de onde se espera que venha a solução. Pelo contrário, é delas que surgem o desemprego, motivado pelo protecionismo dos bens adquiridos. É justo? Pode ser. A menos que o Governo não esteja por trás disso. É obrigação do Estado prover medidas que façam equilibrar a balança comercial, e não provoque endividamento que parece insolúvel (como a Grécia e, por que não, no RS). Porém, aqui traçamos dois extremos: um país, onde a quebra poderia significar um rombo na maior união de países do mundo - ou bloco econômico, e no outro, o de apenas um país, no caso do estado do Rio Grande do Sul. E também, visto que não há relações cordiais entre o governo estadual e federal há muito tempo (e, ao que parece, nem agora que a mesma bandeira impera nos dois...).

Mesmo assim, as crises geram revoltas. E o motivo delas é a crise. De interesses. Sempre! O interesse de muitos é que o Estado pense. Se isso não afetar o bolso do contribuinte, tudo bem. Porém, nesta terra, sabe-se que não existe campanha política ou ações de demagogos que expressem um aumento de imposto; aumenta-se, e pronto! Pensando assim, o povo não sofre com aumento nas contas de água, luz, alimentos, IPVA, IPTU, e por ai vai. Ele sofre quando precisa do SUS, quando precisa de uma universidade descente, ou quando quer andar com seu carro novo e o trânsito não flui. E como vai fluir? Se comprar um carro foi a melhor ideia que teve em sua vida, espera-se que não haja facilidades concessionária a fora!

Enfim, voltando para as manifestações: como protestar? Isso depende do motivo. Se eu e mais duzentos nos reunirmos na frente do Palácio Piratini cobrando melhorias na saúde, isso não atentará ninguém além de alguns policiais. Se eu e mais duzentos mil tomarmos as ruas e irmos direto ao Piratini, desta vez pela educação, ai sim! Virão a tropa de choque e bastante policiais. Qual foi a diferença? O modo como são protegidas as autoridades governamentais. Mais do que o patrimônio publico (e principalmente o privado), proteger os "mandantes" é primordial, já que é deles que virão as decisões futuras sobre tudo.

Aquela velha dica de votar em quem se conhece é sempre bem-vinda. Porém, nos casos mais extremos, quando não adiantar haver leis contra a corrupção ou outra forma de abuso de autoridade, as manifestações são bem-vindas. Há, no entanto, de se tomar muitas precauções quanto à algumas ideologias. Lutero protestou, e indiretamente, houveram as Guerras Hussíticas. A ideologia era boa, mas se perdeu nas mãos erradas. Violência nunca vai resolver nada. Mas, por favor, não espere em nenhuma novela que a situação melhore, pois como ela mesmo ensina, tudo tende a piorar. 

Como protestar? Nas urnas. Só? Em quem você votou? Quais foram os projetos apresentados? Ele os está colocando em prática? Alguém o está barrando? Gaste um pouco do seu tempo, pois se realmente você se importa com sua próxima geração, um dia cobrando seus eleitos representaram muito a sociedade.


PMSS






Certo ou errado?

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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