GOLIAS LISBOA #4 : O meu grande emprego

Esses dias eu estava de boa no escritório, escrevendo mais uma das minhas bobagens, quando, num ato inédito (mentira), parei um pouco. Pensei, pensei e pensei: meu emprego é uma farsa! Estou aqui sentado na frente de um computador, digitando letras para que outros, que também estão na frente do computador (ou Tablet, iPad, Celular, mictório), leiam. Já imaginou se, em algum dia, eu usar o banheiro e vir digitar com as mãos sujas? Tudo bem que os leitores já estão acostumados a ler porcarias, mas isso não pareceria mais literal?

Pois bem, é isso.

Me pergunto: eu teria a mesma paciência dos meus leitores para me ler? Será que reservaria meu tempo para ler isso que estou acabando de escrever?

Algumas situações práticas, por exemplo: um lenhador, contratado para devastar um bosque, de repente, para. Está cansado de dar machadadas em troncos. Ele pensa: "Estou a fim de ler uma porcaria de texto neste momento". Pimba! Alguém largou de mão sua atividade para me ler. Isso talvez possa ser comum em situações que envolvam tarefas repetitivas. Como o Charlie Chaplin, no filme "Tempos Modernos". Está certo que naquela época, se você parasse de apertar parafusos, vinha imediatamente um brigadiano e descia o sarrafo no teu lombo. Mas e hoje? Um rapaz, que trabalha na linha de produção de materiais reciclados, "do nada", para sua produção e pensa: "Vou deixar de transformar porcarias em coisas boas e tentar entender essas porcarias". Pimba de novo! Lá está mais um na frente de um computador lendo essas coisas aqui.

Já pensaram (isso mesmo, no plural, já que "há" um lenhador e um reciclador me lendo) se o FBI estiver lendo meus textos? Tipo, pesquisando para ver se não estou planejando um atentado à Disney? Imaginem, por exemplo, se Brad Hanks, um novato recém contratado da agência inicia seu trabalho pensando: "Quero começar com o pé direito, vou achar logo um mentecapto que quer explodir a Casa Branca!" e, começando sua busca, ele cai exatamente aqui, como quando um beija-flor aterrissa em solo procurando uma flor, mas cai diretamente na câmara dos deputados em Brasília? Provavelmente ele desistirá do emprego e irá seguir na carreira de motoboy de loja de R$1,99. Frustante não acham?

O jeito é continuar escrevendo. Vai que um dia eu escreva algo útil? Assim, quando um lenhador, reciclador ou o próprio FBI poderão pensar: "hm, interessante".


"São Luiz do Maranhooooooooollll".
Galvão (nada) Bueno, narrador de F1, MMA, Futebol e Patinete no Asfalto, ao narrar um gol na terra do Sarney.

___
Cavid Doimbra escreve (quando dá na telha) sempre sobre Aracnofobia, Tricô e Novela das 8.

Via Diário Chinelo 

Share this:

SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

0 comentários: