GOLIAS LISBOA #3 : O Exterior do Brasil

Estive morando um tempo no exterior. As coisas são diferentes por lá. O exterior do Brasil é realmente diferente do interior do nosso país. Lá, as pessoas falam diferente, comem diferente, acessam o Youtube diferente, mas nem tudo é assim. Dá pra comparar muitas coisas. Uma delas, por exemplo, são as pessoas. Há muitas pessoas aqui e lá. E, não obstante, elas, de forma quase que harmônica, querem sobreviver neste mundo. Tudo bem que lá no exterior do Brasil as pessoas possuem certas culturas diferentes, mas no fim das contas todas vão ao Mc Donalds, todas se vestem como bem queiram e pagam impostos como bem queiram (essa do imposto eu inventei).

O caso é que lá no exterior eu vivia em uma cidade grande, assim como o Alegrete; tinham bois, mas eram ciborgues - o leite das vacas eram hologramas, para se ter uma ideia. O ônibus era grátis, mas os moradores, complacentes, davam R$ 2,80 de esmola ao cobrador, que aceitava sem muita gratidão - pois todos davam esta esmola. Como seria bom se aqui fosse assim!

Lá, os hospitais são tão bons que todos querem ser atendidos neles, fazem filas e filas para serem atendidos, maiores até que o show do Justin Britney. As vezes, ficam exaustos, mas quando chegam na sua vez, correm, solicitam o remédio para o médico, que sequer olha para o paciente, e saem de lá, exaustos, mas com a receita. Ah, e felizes. O exterior é de primeiro mundo!

Talvez as pessoas que lerem isso se sentirão ofendidas, tamanha a minha sorte de ter estado lá este tempo, no exterior. E ficarão ainda mais quando eu comentar dos políticos: sim, eles são honestos! Lá, quando há um crime de corrupção - que é algo normal, indispensável em qualquer democracia -, os políticos assumem, dão a cara a bater. A população, quase que num uníssono, os perdoa. Mas as vezes a justiça é tão cruel que, como uma vilã de filme da disney, os cobra uma multa. Mas o bem sempre vence, e o povo se junta, democraticamente, e ajudam pagando a dívida do político perdoado. Que coisa surreal!

Os professores trabalham por amor!

A polícia é bem treinada! Quando vândalos atacam bancos - instituições dignas de louvor por seus lucros mágicos e intocáveis -, ela bate. Mas bate mesmo! Que eficiência!
Paisagem turística do exterior do Brasil.

Ah, e quando a população protesta contra algo? Nunca acontece, já que tudo lá funciona que é uma beleza! Ah, o exterior! Quero me mudar para lá! Tudo bem que a carga de impostos é alta, mas ao menos é um dinheiro que nos priva de muita coisa, como pensar por exemplo! Que trabalho dá pensar, não acham? E é por isso que o cidadão do exterior do Brasil faz pouco caso em dia de eleição, já que todos lá devem votar; imagine se preocupar com política uma ou duas vezes apenas de dois em dois anos? Que sonho! Há alguns, apesar de serem considerados loucos, que após a votação ainda se preocupam em ver os resultados! Bobagem! Eu iria, como a maioria, ver o Faustão!

Amigos, se há um lugar perfeito, esse lugar é o exterior do Brasil! Pois aqui no Brasil, diferente de lá,
a morfina ainda não me fez efeito.


"Tiveram que pegar-te, Brutos".
Roberto Bolaños - el chavo, em resposta ao Prof. Linguiça sobre suposta dívida dos índios muchachos, pois estavam em seus demônios.

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Cavid Doimbra escreve (quando dá na telha) sempre sobre Artes Marciais, Economia Surinamesa e Frutas Cristalizadas.

Via Diário Chinelo 

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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