Contos que Mal-Acabro - 4


Sexta-feira 13 - Parte 8,34x³=D'=3.8,34x²=25,02x²'

Sim, lá estava Bob esperando seu 13º. Sim, lá estava mais uma miséria. Bob tinha que sustentar um orfanato trabalhando duro em uma loja de sapatos. E a moda agora era usar chinelos. Chinelos da alta sociedade, chinelos de time de futebol, chinelos social, chinelo casual, chinelos de banho, chinelos de trabalho. E, bem por isso, a loja de chinelos estava faturando tudo, e a de sapatos, nada (a idéia era de que a loja de sapatos também vendesse chinelos, mas isso ia de contra aos padrões deste conto)... Mas Bob sabia que não ia ser demitido, pois trabalhava na empresa há 13 anos, nunca se atrasou e tão pouco roubou dinheiro do caixa. Ou seja: a miséria ainda valia a pena.

Para sustentar 13 crianças, Bob ainda vendia camisetas de "Não use drogas!", doadas gratuitamente por uma instituição do ramo. E vendia caro, o esperto.

Bem... foi naquela sexta-feira, 13 de dezembro, as 13hs da tarde, o chefe de Bob, conhecido como Don Ruan, rei dos sapatos e galanteios, fez a seguinte proposta:

- Servo maldito! O que preferes? Ganhar seu salário mixuruca agora ou ganhar uma comissão extra por uma entrega, adjunto? Estou certo que vale a pena...
- Sim, vossa majestade, quero fazer essa entrega!
- Pois bem. Aqui está o endereço e as caixas de sapato do tipo "Panquecas". Quero que entregue antes da meia-noite! Huahuahuahuahuahuahua! - disse o safado, rindo.
- Mê dá essas caixas, velho! - irritou-se Bob, que fez cara de poucos inimigos a uma senhora que passava pela rua.

Bob colocou as 20 caixas na parte de trás de seu Fiat 147 velho em folha. E antes que os amigos da loja ajudassem a empurrar a carroça, Bob fitou o endereço: Rua Sexta, 13 - Bairro Bem Mal-assombrado/Rocktown.

- Mas onde fica isso? - perguntou para seu espelho.
Logo o GPS foi acionado. Mas nada. Bob teve que parar seu veículo em uma Lan House. Era uma daquelas na beira da estrada. Tinha um senhor, parecido com o Spectro Man, que fez o cadastro de Bob, que se auto-apelidou de Freak.

- Como é que se escreve? Frik? Freek? Werick? Maverick? Rick? Mickey? Dick (Moe)?
- Não! Eu disse Freak!

Sim, lá estava Bob usando o site de busca e apreensão. Ele não achou Rocktown nos mapas, mas achou uma história sobre onde ficava (estava na Desciclopédia). Ficava entre Oiapope e Chuí. Ou seja, tudo indicava que ficava na Área 51, entre a 52 e 50. Próximo ao Acre. Lá estava Bob na estrada novamente.

- Tchau, Brik! - disse o dono da Lan.
- É Freak! - respondeu Bob.
- Foi o que eu disse, Hick.

Bob estava exausto. Queria entregar logo aqueles sapatos. Para isso, teve que aumentar a velocidade de 20km/h para 60km/h. Isso fez com que a caixas de sapato se movessem alguns centímetros.

O vendedor de sapatos parou logo em seguida. Havia uma placa. Contudo, estava toda amassada. Teve que parar o carro e conferir o que estava escrito. Sim, lá estava escrito Rocktown. Pensou consigo que aquela cidade poderia ser detestada pelos motoristas. Só que Bob avistou a trilha que o acidentado fez, pois não havia muitos destroços por ali. Como não tinha nada a perder (apenas sapatos), percorreu com seu carro toda a extensão da trilha formada pelo carro. Ao descer um tanto, observou o veículo do acidente: um carro legal. Não havia nenhum escritor dentro, tão pouco pegadas de enfermeira psicótica por perto. Então, pensou em coisas do além, mas resolveu seguir a trilha na mata.

Sim, lá estava Bob diante de prédios e edifícios que nenhum ser humano podia ver em qualquer horizonte. Muito menos em uma zona rural como aquelas. Bob, enquanto manobrava seu 147, admirava também que esta cidade não tinha pessoas, diferentes de muita gente no mundo, que não tem prédios. E como se tudo fosse controlado por controle remoto, mesmo sendo pouco mais de 13hs, a noite caiu. E a casa também.

O garoto parou seu carro. Estava exatamente na rua e no número da entrega: Rua Sexta, 13. Era um prédio de (8 deitado) andares. Só que ele mal entrou e viu seus clientes, eram três homens de sobretudo verde marca-texto. Usavam também luvas laranjas e chapéus de Cowboy. Um deles disse:
- Traga os sapatos!
Bob correu até o carro e pegou metade das caixas. E lá dentro dois deles sentavam e colocavam os pés para fora. Ao experimentarem e gostarem das 'panquecas', um deles, que parecia ser o cacique, disse:

- Era isso mesmo, meu chapa. Vou pegar sua comissão!

Ele abriu uma maleta e pegou um tranquilizante. Na cara dura! Bob virou-se para correr, mas lá estava Don Ruan, que lhe acertou com um bastão de beisebol. Logo, além de sedado, estava galeado (na cabeça).

Sim, Bob agora era acordado por Spears, John Spears. O verdadeiro dono do carro acidentado e da história escrita para seu próximo livro, onde ele mata a personagem principal (a contragosto de certas enfermeiras psicopatas). E junto dele estava Britney Lennon, uma mocinha que parecia esperta. E era, de fato. Os dois explicaram o velho blábláblá, que não conseguiam sair dali e tudo mais. Porém, Bob acrescentou que antes de levar a pancada na cabeça, percebeu se tratar de seu chefe Don Ruan, o patife que o acertou. Ou seja: depois dos sujeitos de verde, agora tinha o sapateiro conquistador.

Antes de tudo, de pensar nos braços picados e nas pessoas que deveriam estar ali, procuraram o primeiro lugar onde houvesse comida. Havia fome de verdade. E vontade de sair daquilo. Eles pareciam os três mosqueteiros sem as espadas. Eram formigas dentro de um mundo de pedra.

Os três caminharam juntos. Era perigoso demais se separar naquela 'ilusão concreta'. Uma cidade feita de pedra e esculpida por vultos. Gigante pela própria natureza, mas não tão risonha e límpida (nem a imagem do Cruzeiro tinha no céu...). Por mais que caminhassem, mais distante estavam de sair dali. Então, sendo mais realístico possível, de fato, havia uma chance de escapar! E essa chance você verá no próximo programa, nessa mesma hora e nesse mesmo blog. Sim, esse é o fim (desse conto, por enquanto).

PMSS

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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