Contos que Mal-Acabro - 7


O Computador Mal Atualizado

Recapitulando: Várias pessoas se encontraram numa cidade, chamada Rocktown. Mas esta cidade nunca existiu em mapas ou tão pouco se ouviu falar nela. Estas pessoas acabaram por ter seus destinos ligados à algo que nunca existiu. Mas até onde se pode ir, se a cidade não existe? Tentando acordar? Ou simplesmente chegar a quem criou esse troço e dar uns petelecos em sua humilde gadanha? Estavam todos estes citados acima esperando seu 'julgamento' ou sei lá o que, que fosse decidido por Don Ruan, mas enquanto isso, eles ficaram numa sala ao lado, vigiados pelos homens de sobretudo verde marca-texto. Com suas RPGs, é claro.
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Um deles, o de chapéu de cowboy, bateu novamente na porta de Don Ruan.


- Nós não temos o dia todo!

- Vai atucanar o satã! - disse o boca suja.

O homem de sobretudo verde marca-texto ficou pasmo, dado que o filme 'louca obsessão' já havia acabado. Ia começar outro programa, mas não um programa qualquer decente. Era uma novela. Na verdade, havia uma competição naquele horário entre a 15º reprise de 'As axilas do Sr. Reitor', e outras com pouca distribuição de QI, como 'Viver a Morte' e 'Paraíso Fiscal'. O cowboy chamativo perdeu a paciência:

- Mas será o benedito bendito, tchê! - disse o cearense. Dito isso, pegou sua arma a atirou na porta de Don Ruan, abrindo na ignorância boa parte do pavimento. O ar no 13º andar estava calmo.

- Seu retardado! O que tu fez? - perguntou Don Ruan.

- Nada... só quis abrir uma janela... - e que janela! -, é claro que minha paciência terminou! Disse que iria nos pagar por estes mocorongos ai na sala ao lado. E se não cumprir sua promessa, vou ter que descumprir com a minha. Fui claro?

- Hã? - disse Don Ruan, colocando a mão na orelha -, tô brincando, vou pegar seu dinheiro. Esperem aqui na minha sala mesmo.

Don Ruan saiu e deixou os três na sala, enquanto Pepe, o velho, segurava a RPG na sala ao lado. Ruan foi buscar o money.

- Tenho que tirar o chapéu pra você, chefe! - disse um dos homens com sobretudo verde marca-texto, o de chapéu do chaves -, mas pena que faz 15 anos que esse chapéu está colado na minha cabeça!

Foi com poxipol, mas é uma longa história...

Enquanto isso na sala ao lado, como já era se esperar, Pepe começa a se vangloriar para cima dos raptados, retribuindo o que recebera antes. Lembram das marcas de fósforos? Pois é, aquele episódio. Mas ele não sabia como se vingar de todos, já que uma RPG dissiparia todo aquela sala, com pessoas e tudo.

- Não sei se faço a mesma coisa a vocês com fósforos... estou pensando em algo...

- Se eu tivesse uma bola de bocha agora nas mãos, ao invés de jogar bocha decentemente, jogaria nessa sua cabeça de osso pra sopa! - disse Billy, tentando intimidar Pepe de um jeito bem estranho...

- Não precisam se preocupar; estou do lado de vocês.

- What? - todos disseram alto.

- É isso ai. Estou largando fora os planos desse maluco ai. Gostei de vocês. E já sou um menininho bem crescidinho.

- Mentira, ele só pode estar mentindo! - exclamou Alfred, tossindo e mostrando a evidente catarreira,

- Como pode saber disso Alfred? - perguntou Bob. - Ele parece estar falando a verdade... - apontou para Pepe, que fazia cara de cachorro arrependido de ter rasgado o jornal de domingo.

- Então nos entregue a arma! - disse Marie, lembrando de uma novela que havia passado à tarde, acontecia a mesma coisa.

- Mas deixa de ser louca, guria! Não vê que ele acabou de dizer que queria se vingar de nós por causa dos fósforos? - disse o Alfred, que em uma de suas posições, ficou parecido com Lasier Martins.

- Tome.

O velho Pepe entregou a arma a Lucy, que logo mirou a cuca do véio.

- Diga como saímos daqui?

- Vocês não irão muito longe. Aqueles safados de verde chamativo sedaram vocês com ácido sulfonítrico cósmico (2HSNCosm²). E isso, depois de alguns dias pode ser letal.

- Então, o que faremos? - disse Bob, coçando os sapatos.

- Vocês têm que pegar a cura disto. Ela está numa árvore, se chama 'árvore poste', parece uma árvore, mas é um poste. Ou seja, o poste está parecido com uma árvore, então...

- Chega, velho pamonha! - gritou Britney.

- Diga onde está essa árvore! - disse John, intimidando o velho com uma caneta (a mesma que ele usa pra escrever a história).

- Eu não sei... Mas o computador de Don Ruan sabe.

- Então pergunte pra ele! - disse o jogador de bocha, Billy.

- Fazer o que? - perguntou Marie - Onde estava nos últimos 10 anos? Vai dizer q nem orkut i msn c tm?

- Chega de ladainha! - disse Bob, nervoso. - Alfred, vá junto com Pepe procurar o computador. Enquanto isso, Marie, Lucy e John saem na rua para procurar essa árvore. Levem meu telefone.

- Mas e vocês, vão ficar fazendo o que ai? Ô Malandro! - disse Marie, preguiçosa.

- Eu, a Britney e o Billy vamos dar um jeito de despistar Don Ruan.

Bob escolheu só quem começa com a letra B para ficar ali. Coincidência? Eu não acho...

Então, todos saíram para suas posições... Alfred foi resmungando com Pepe procurar o computador de Don Ruan. Bob, Britney e Billy estavam bolando um jeito de burlar a imagem das câmeras de vigilância. E John, Marie e Lucy foram catar essa tal árvore. Lucy fazia um esforço para lembrar de algo, mas era difícil, tamanha era sua dor de cabeça.

***

O Rapaz de chapéu do chavez, dos homens com aqueles sobretudos chamativos, fitou algo que mudou a história dos três figurões:

- Vai começar a Sessão de Desenhos!

Todos os três se renderam. Não havia alternativas senão assistir aos desenhos animados. Mas não contavam com um erro muito grave de programação do computador de Don Ruan. Este computador controlava toda a Rocktown. E, como o antivírus estava desatualizado, o PC tomou vida própria, gerando algo indestrutível! É... vamos ver o final né, não dá pra dizer que ele é 100% poderoso (não haverá MacGiver nem Chuck Norris no enredo).

Bem, o fato é que a sala onde os três marmanjões assistiam o desenho 'A valentia do Urso dourado', foi transformada em um verdadeiro funduncio. Gás sedante foi jogado na sala para que os três palmeirenses dormissem.

Isso era apenas o começo. Logo, tudo ficaria pior para âmbos os lados. E só o destino para nos dizer o que vai acontecer. Ah, e é claro, a disposição deste autor.

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Lição: Sempre atualize o antivírus de seu PC! Nunca se sabe quando seu computador criará pernas e fará coisas horríveis para você.
E só para lembrar: a Olívia ainda continua paraplégica.

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PMSS

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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