Reclamar por quê?


Fechamos o vidro do carro, a fumaça tem que sair,
Ligamos o ar-condicionado, o mundo está lá fora.

Atropelamos cães e gatos, são costumes corriqueiros;

Antes de tudo, temos que ir embora.

Em ruas antiquadas vemos um filme bem manjado
Crianças maltrapilhas cobiçam nossos carros...

Mas temos o prazer em pisar no pedal direito.

E no lado esquerdo do peito, apenas um disparo.


Um tiro paralisante...
Mais um coração de pedra...
Um gesto negativo...
A mais nesta terra...
Em nosso peito se encerra...
E as nossas ações se encerram...
E a vida se encerra... Se encerra.

Em casa chegamos, são e salvos...

Onde vamos assistir mais um filme vagabundo.
É sobre uma realidade que o vidro fumê não mostra
É sobre um mundo que parece de outro mundo...

Vamos aplaudi-lo de pé, ele merece...

São poucos que se preocupam com o seu semelhante

Mas hoje tem pizza, coca e sorvete.

Outra hora faremos o que já devia ser feito antes...

Um tiro paralisante
Mais um coração de pedra;
Um gesto negativo
A mais nesta terra,
Em nosso peito se encerra...
E as nossas ações se encerram...
E a vida se encerra... Se encerra.

Se a vida nos caiu como uma luva,
Não posso entregar tudo assim pra você
Como posso estar incomodado com o que me rodeia
Reclamar por quê? Reclamar do quê?


PMSS


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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

1 comentários:

Natália disse...

Post incrível, Paulo =D

Realmente, só se preocupa quem vive os problemas na própria pele ;/