A notícia em 140 caracteres


A mídia tem se alimentado de pequenas notícias que parecem maiores quando transmitidas ao grande público. E de um modo muito peculiar, quem faz a notícia virar propriamente algo necessário é o próprio espectador. Sites como o Twitter tem mostrado, em seus Trending Topics, ou tópico de tendências, notícias que antes pareciam fúteis para muitos. A morte de um cantor europeu pode ser comentada na Ásia, ainda que a fama desse cantor não seja lá tão forte para chegar ao continente asiático musicalmente.

A diferença que o Twitter representa no modo de interação com a notícia é o que faz com que isso se torne um diferencial atualmente na rede. De um certo ponto, isso pode parecer bom, se falarmos em termos de uma seleção ainda mais criteriosa do que a internet nos oferece. Se você não gosta de um político, mande "@fulano não gosto de você!". É muito provável que o demagogo não se dê conta em uma opinião adversa, a menos que seu nome faça parte dos TT's. Essa pesquisa na coluna lateral do Twitter mostra a todos o que os próprios querem. Ou não.

O que a maioria dos usuários espera é que a invenção de novas ferramentas da web nunca pare. Mesmo que o Orkut, Facebook, MySpace, entre outros sites de relacionamentos, ainda pareçam suficiente para muitos, a procura pela novidade e maior participação do público nos meios de comunicação ainda pode ser mais bem elaborada e ainda mais social. Mas um dos maiores desafios de quem transmite a notícia é saber se ela convém ao grande público. Esses sites foram e ainda são usados para anotar esses pontos de vista. Logo, essas opiniões serão as notícias, e o grande público poderá ser seu próprio informante. Iniciaria nesse caso uma nova maneira de se criar jornalistas?

As notícias sempre respeitam um padrão, ao menos até o presente momento. Sempre há interesse por algumas notícias em particular, como assassinatos e fofocas, e tudo isso é explorado pela mídia com louvor. Mas muitos se queixam da violência da mesma forma com que exaltam a vitória de seu time: como sendo algo que lhes informa, sem um senso sobre a matéria, apesar de que muito do que se ouve pode estar inflamado. A forma como isso é passada em um jornal é muito diferente do que a maioria vê no computador. Mesmo que os próprios meios ofereçam sites com espaços para opinião, um Twitter pode gerar uma informação relâmpago que ao chegar ao mais atrasado pode estar tão mudada quanto ao fato propriamente dito. Mas diferentemente de um meio de comunicação, isso pode causar reações muito diferentes, o que pode não ser bom.

O modo como lidamos com isso ainda poderá ser guiado por novas tendências. E tudo vai depender de pesquisas nesse âmbito da informação. Mas não é difícil perceber que, mais cedo ou mais tarde, ao ligarmos a TV ou abrirmos os jornais, veremos setas apontando para o computador, incitando que a resposta para tudo estará na Web. Ou melhor, explicando em menos de 140 caracteres, deixaremos que a maioria diga o que está acontecendo.





PMSS

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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