Música cristã internacional: o papel da mulher

Talvez as maiores referências sejam Amy Grant ou Leigh Nash. Mas nesse mundo que envolve os timbres femininos da música cristã internacional, temos vários talentos a descobrir.





No cenário da música não poderíamos deixar de lembrar da participação da mulher, e a própria história revela a importância dessa presença. A revista Selo listou algumas personalidades da música cristã que tornaram a participação feminina relevante no universo musical.
Desde os primórdios da cultura cristã, a voz feminina integra corais, duetos, solos, e contribui para o desenvolvimento, mesmo que tímido, da música nas igrejas. Com o intento do protestantismo na Europa, a Reforma deu impulso a música sacra (nome dado à música religiosa, na idade média), e a introdução de corais femininos foi apenas uma questão de tempo.
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Por volta de 1860, durante o período conhecido como Grande Despertamento, nos Estados Unidos, surgia a poetisa Fanny Crosby, que logo teve suas poesias transformadas em hinos marcantes na história da igreja moderna. Detalhe: ela era cega de nascença e escreveu quase nove mil hinos cristãos!
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No início do século passado, ainda nos EUA, a música seguia duas tendências que foram influenciadas diretamente pela segregação racial, um grande problema que o país enfrentava e que dividia a sociedade, inclusive a igreja. Podemos citar dois estilos que estimularam a mulher cristã no meio musical durante esse período.
Muito comum para os norte-americanos, em igrejas de maioria branca e localizada ao sul – onde algumas leis proibiam o acesso de afro-descendentes e outras etnias a locais públicos, surgiam aos poucos grupos familiares de canto gospel, e os vocais femininos estavam sempre presentes.
Lena Brock Speer, conhecida como ‘Mãe’, deu início à sua carreira musical na década de 1920, junto com o marido e família. Eles formaram um grupo gospel sulista, norte-americano, da famíliaSpeer (reconhecida no meio gospel durante esse período), que deixou diversas contribuições na música contemporânea. Entre outros grupos, LeFevres destacou Eva Mae, e o The Rambos, deu destaque a Dotie Rambo, num estilo mais country. Na mesma tendência estava Gloria Gaither, esposa do famoso Bill Gaither, e a compositora e cantora Doris Akers, com extensa contribuição para o gênero.
Ethel Waters
Os corais gospel, de estilo mais voltado para o que conhecemos como soul – comum em igrejas batistas dos EUA, foram também locais onde as mulheres desenvolveram suas mais memoráveis atuações, influenciando ainda hoje, não somente o público cristão, assim como o secular.
Mahalia Jackson, talvez uma das principais cantoras de soul do início do século passado, chegou a cantar para 250mil pessoas ao lado de Martin Luther King. E influenciou a cantora Aretha Franklin que, a exemplo de muitos cantores consagrados, como Elvis Presley, James Taylor, Jonny Cash, entre outros, começou cantando a música gospel, mas obteve um sucesso mais notável no cenário secular, com os estilos Soul,Jazz e R&B .
Ethel Waters é bastante conhecida por suas apresentações memoráveis nas cruzadas de Billy Graham. É bastante lembrada por ser nomeada ao Oscar como Atriz Coadjuvante (foi a segunda afro-descendente a ser indicada ao prêmio na história, pela atuação no filme Pinky – no Brasil conhecido por ‘O que a carne herda’) .
Outra lenda é Albertina Walker - rainha da música gospel, que integrou o grupo The Caravans até se destacar na carreira solo – vale destacar que foi na Igreja Batista Betel que Aretha Franklin conheceu as lendas Albertina e Mahalia. Do mesmo grupo The Caravans saiu Shirley Caesar, ganhadora de onze prêmios Grammy, que deve seu sucesso à Albertina e ao grupo The Caravans.
E apens para citar, destacaram ainda Salie Martin e Clara Ward.
Com a chegada do Jesus Movement – contrariando o movimento hippie, predominante na cultura do final dos anos 60, a música cristã tornou-se cada vez mais popular na grande mídia, e adquiriu um espaço próprio.

Amy Grant recebe sua estrela na calçada da fama
Nesse embalo, já no fim da década de 70, surgia Amy Grant. Com apenas 17 anos quando obteve seu primeiro contrato com uma gravadora. Durante sua carreira Amy Grant teve um papel fundamental na divulgação da música cristã no mainstream, rendendo-lhe uma estrela na Calçada de Fama, em Hollywood. Ela fez um enorme sucesso com os singles Next Time I Fall e Baby, Baby, a primeira em parceria com o ex-Chicago Peter Cetera. Ambas composições alcançaram o topo da Billboard. Amy viveu um período conturbado para sua vida cristã – que já era questionada pelo meio, no início dos anos 90, após a separação do músico Gary Chapman, mas superou tudo já nos anos 2000, com um cd que agradou principalmente o meio cristão (Legacy… Hymns and Faith), além de ter casado novamente. Ainda hoje é conhecida com a “rainha” da Música Pop Cristã.  Quase junto com Amy Grant, surgiu também Sandi Patty, reconhecida pela mídia como “a voz”, por sua voz marcante e fenomenal, alcançou grande êxito em sua carreira – principalmente após o lançamento do álbum independente ‘For My Friends’, conquistando 5 prêmios Grammy, além do reconhecimento de diversos setores da música por suas interpretações. É notável sua participação em orquestras por sua flexibilidade na voz.  O contato com o músico Bill Gaither também a ajudou. No entanto seu divórcio gerou grande desconfiança no meio cristão. Mas assim como Amy, deu a volta por cima e virou até mesmo escritora.
Chegando aos anos 90, a gama de artistas se segmenta e expande, mas agora com maior impulso, entrando em cena diversas bandas cristãs, onde as vocalistas e integrantes começam a tomar espaço num meio já desbravado por lendas do gênero, impulsionados por Larry Norman, Keith Green e, por que não, pelos ‘dinossauros’ do Petra.
Leigh Nash, da banda Sixpence None the Richer
A banda Sixpence None The Richer, da vocalista Leigh Nash, surgiu no começo dos anos 90, mas seu sucesso veio em 99, com o hit Kiss Me. Essa música impulsionou, junto com os covers There She Goes e Don’t Dream Its Over, e em pouco tempo tornou a banda, e Leigh Nash, expoentes no cenário mundial. O estilo da banda é questionado por alguns setores do meio cristão por não retratar uma mensagem direta. Porém, a banda se assemelha a outros grupos conhecidos por terem integrantes cristãos e tratarem de temas sociais e relevantes, como a SwitchfootLeeland, e até mesmo U2, além das participações e do envolvimentos com o meio artístico cristão. O sucesso de Kiss Me pode ser considerado uma marca a ser superada, pois seu nível de reconhecimento dentro e fora do cenário cristão é maior que muitas outras canções gospel de nosso tempo, de nomes como Michael Smith, Hillsong, P.O.D. e MxPx.
A australiana Rebecca St. James é outra que se destaca na representação do pop cristão dos anos 90/2000. Defensora de diversas causas morais, ela atingiu marcas importantes, recebendo um prêmio Grammy pelo álbum Pray, como melhor album de Rock Gospel (2000). E também Brooke Fraser, da Oceania (Nova Zelândia), tanto na carreira solo quanto com o Hillsong, tem características parecidas com as de Rebecca.
Falando em Hillsong, devemos citar Darlene Zschech, líder de adoração do ministério na Austrália, alcançou um sucesso notório no álbum God He Reigns, que serviu de inspiração para muitos outros ministérios, inclusive no Brasil.

A lista se estende, e abaixo, uma pequena listagem de cantoras, grupos e bandas que abrangem mulheres no meio artístico cristão contemporâneo:
  • Avalon
  • Balowgirl
  • CeCe Winans
  • Cristal Lewis
  • Flyleaf
  • Jaci Velásquez
  • Krystal Meyers
  • Nicole Nordeman
  • Sarah Kelly
  • Skillet
  • Stacie Orrico
  • Superchick
  • The Letter Black
  • Adie Camp
Talvez não seja impossível abranger a todas as mulheres que de fato ajudaram direta ou indiretamente no meio cristão. Contudo, não apenas nesta rápida listagem, notamos a presença dela mesmo que despercebidamente num coral, num projeto solo ou em bandas iniciantes, e é fundamental destacar o papel feminino nesse mercado que, sem dúvidas, ‘dominam com louvor’.

Paulo Matheus de Souza

(Publicado Originalmente na Revista Selo).

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SOBRE O AUTOR

Paulo Matheus Souza de Souza nasceu em 1989, na cidade Porto Alegre. É engenheiro civil e trabalha com pesquisa na área. Começou a escrever cedo, junto com os irmãos, primos e amigos. Juntos, eles fundaram uma “editora”, chamada Scott, onde o que mais faziam basicamente histórias em quadrinhos. Com o tempo, o autor passou a escrever histórias mais longas, algumas até hoje inacabadas. Em 2008 começou a escrever contos e crônicas neste blog pessoal.

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